Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo dá posse a novos membros e comemora 450 anos da morte de Tibiriça

Dia 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, é um dia de festa no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Nessa data, tradicionalmente, é dada posse aos novos membros da instituição. O IHGSP localiza-se em um prédio próprio no coração do centro antigo de São Paulo, na Rua Benjamin Constant, 158, entre a Praça da Sé e o Largo São Francisco.

Pouca gente que passa pelo vetusto edifício repara em sua grandiosa porta negra. Essa porta já se abriu diversas vezes para dar passagem a personagens ilustres da história do Brasil, como o imperador d. Pedro II, a princesa Isabel e seu marido, o conde D’Eu. Mas como?, deve estar pensando o esperto leitor. O prédio parece ser da década de 50 do século passado! E realmente, o prédio foi inaugurado em 25 de janeiro de 1954, porém a porta pertenceu ao antigo palácio do governo de São Paulo.

Quando o palácio, que ficava no Pátio do Colégio, foi demolido, um membro do instituto, Nicolau Duarte Silva, comprou a porta e com a construção da sede própria doou-a para a instituição.

No próximo dia 25, no IHGSP, o grande homenageado será o cacique Tibiriçá, o primeiro índio a ser catequizado pelo padre José de Anchieta. Tibiriçá foi um auxiliar valoroso na fundação e, principalmente, na proteção do colégio jesuíta, célula primeira de nossa cidade. Os restos mortais do cacique repousam hoje na cripta da Catedral da Sé, no centro de São Paulo, graças a esforços de antigos membros do Instituto. Nicolau Duarte Silva, Afonso Taunay,  Ricardo Gumbleton Daunt, entre outros sócios do IHGSP, localizaram as ossadas de diversos personagens históricos importantes para a história de São Paulo e conseguiram que a Cúria os depositassem na cripta da nova catedral, na década de 1930.

Dia 25 também será especial pela entrada no instituto do colega blogueiro Douglas Nascimento, que mantém, junto com Gláucia Garcia de Carvalho, o São Paulo Antiga.

Segue abaixo a programação:

Hino Nacional cantado em guarani: Mestre Robson Miguel

Pai Nosso em tupi-guarani: Marluy Miranda, tenor: Gualtieri Beloni Filho

Palavras da Presidente: Nelly Martins Ferreira Candeias

Palavras do Ministro e Embaixador: José Gregori

Entrega da Medalha Comemorativa do IV Centenário da Fundação da Cidade de São Paulo

Posse da Diretoria, triênio 2012 a 2014

Solenidade de Posse

Brasil: Alfredo Duarte dos Santos, Carmen Lúcia Vergueiro Midaglia, Douglas Rodolfo Nascimento, Eduardo Conde, Érico Storto Padilha, Hagor Kechichian, João Tomas do Amaral, Louiz Carlos Pacheco e Silva, Manuel Alceu Affonso Ferreira, Marcos da Costa, Milton Luiz Festa Basile, Paulo Adriano Lopes Telhada, Roberto Fortes, Rogério Vidal Gandra da Silva Martins e Tales Castelo Branco.

Portugal: Rui Miguel da Costa Pinto

Pronunciamento: Manuel Alceu Affonso Ferreira

Saudação aos novos membros: Hernâni Donato, Presidente de Honra

Oração à cidade de São Paulo, poema de Paulo Bomfim, declamado por Pedro Paulo Penna Trindade

Sessão Musical: Mestre Robson Miguel

Presente de natal – Titília e o Demonão por R$ 28,00 na Siciliano

Dúvida de presente para o amigo secreto? Ou melhor, o que você vai dar para a sua namorada, esposa ou amante? O iphone 4S está caro, não é? Que tal cartas de amor? Por que não dar um livro para apimentar o relacionamento, ou a amizade?

O Titília e o Demonão, cartas inéditas de d. Pedro I à marquesa de Santos está em oferta na Siciliano, de R$ 39,90 por R$ 28,00, fica a dica!

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CategoriasMarquesa de Santos

Radiodramatização A Marquesa de Santos – Rádio Record 1950

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Fonte: http://natrilhadoradio.blogspot.com/2011/11/radioteatro-narrou-historia-da-mais.html

Charge feita pelo amigo Paulo Schmidt

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O retorno da velha senhora, ou a volta da Marquesa de Santos

Foi inaugurado no último dia 19, após três anos de restauro, o Solar da Marquesa de Santos, no centro de São Paulo, bem ao lado do Pátio do Colégio. Também foram reabertos os recém-restaurados Beco do Pinto e Casa Número 1, atual Museu da Imagem da Cidade de São Paulo.

Casa nº 1, Beco do Pinto e Solar da Marquesa de Santos
Da esquerda para a direita: Casa nº 1, que abriga o Museu da Imagem, o pórtico do Beco do Pinto e Solar da Marquesa de Santos. Fotomontagem do Arquiteto Victor Hugo Mori

O solar é considerado o último exemplar residencial urbano do século XVIII da cidade. Infelizmente somente as paredes de taipa de pilão e de mão, parte da fachada e a disposição de algumas salas do andar superior mantêm resquícios de como era o local na época em que a marquesa de Santos lá morou. As sucessivas reformas por que o Retrato da Marquesa de Santos que veio do Rio de Janeiro para a mostraimóvel passou descaracterizaram profundamente sua disposição interior. Após a morte do filho mais velho de Domitila, Felício, que herdou o imóvel, o solar foi leiloado e adquirido pela Cúria Metropolitana. A residência do bispo de São Paulo lá funcionou de 1880 até 1909 e existem relatos de que a capela, que ficava no andar superior, foi utilizada para casamentos e batizados. Depois de 1909 o local foi sede da The San Paulo Gas Company Ltda. Após a encampação dessa companhia, que passou a chamar-se Comgás, o solar passou para a Secretaria de Cultura do Município de São Paulo.

Hoje, a parte de baixo, que originariamente servia para os trabalhos domésticos, estocaPrato pertencente a Marquesa de Santosgem de gêneros alimentícios etc., abriga uma exposição que nos leva ao tempo de uma São Paulo mais calma, onde o cantar do carro de boi era uma constante. Os painéis nos conduzem a um passeio através da evolução histórica do entorno, física e psicologicamente.  Uma bela e bem conservada cadeirinha de arruar mostra como as damas, do calibre da mais ilustre moradora da casa, eram transportadas por seus escravos pelas ruas da velha São Paulo.

Em um canto, próximo da cadeirinha, encontram-se alguns achados arqueológicos. Se pertenciam todos a Domitila, ou à família, é difícil saber. O beco, ao lado do imóvel, pode ser considerado como o mais antigo caminho paulista. Durante décadas foi usado por escravos que iam jogar o lixo de seus senhores no rio Tamanduateí. As diversas disputas tendo por motivo a divisa entre o beco e os lotes confrontantes nos mostram o hábito de escravos preguiçosos que descarregavam seus monturos no quintal do brigadeiro Joaquim José Pinto de Morais Leme, antigo proprietário do solar e que acabou dando seu nome ao beco.

A parte da exposição que mais tem atiçado a curiosidade está no andar superior do imóvel. Antes de subir, vale a pena a leitura de um grande painel onde a vida de Domitila é contada cronologicamente.

Ao vencermos o lance que nos leva ao segundo pavimento, um pequeno aposento do lado esquerdo abriga uma exposição sobre as cartas trocadas entre a marquesa de Santos e seu amante, d. Pedro I. Além de algumas fotos de cartas originais, existem outras transcritas em letras brancas sobre acrílico transparente. E aí temos um problema para quem, como eu, sofre com dificuldades de visão. O fundo das vitrines é amarelo e, dependendo da luz incidente, torna-se um suplício ler o que está escrito. O mesmo ocorre com diversas outras placas explicativas ao longo da exposição.

Fotos da Marquesa de Santos idosaA mostra “Marquesa de Santos: uma mulher, um tempo, um lugar”, apesar de se focar principalmente na vida de Domitila após seu retorno a São Paulo em 1829, não poderia deixar de lado, mesmo que com uma referência pequena, como ocorreu, o caso dela com o imperador. Afinal, se Domitila era filha de família ilustre, os processo envolvendo seu pai por falta de pagamento de aluguéis, antes de ela se envolver com d. Pedro I, mostra claramente que se ascendJogo de cadeiras e mesa para chá pertencentes a marquesaentes ilustres existiam em seus costados, dinheiro não.

O caso com d. Pedro abriu-lhe não somente livre acesso a um nível social de que não dispunha em São Paulo como ao enriquecimento obtido ao pé do trono. Domitila, que partira para a corte sem posses, retornaria para São Paulo com uma fortuna em joias, títulos e 52 escravos. Nesse período, o preço médio de um escravo era de 170 mil réis; a soma geral deles daria algo em torno de 9 contos. Para se ter uma ideia do que isso representava em valor da época, em 1834 a marquesa pagou pelo solar 11 contos de réis. Uma enorme casa muito bem localizada, próxima do centro de poder paulista. Tobias de Aguiar, seu novo amante e futuro marido, despachava no Palácio do Governo no Pátio do Colégio, quase em frente ao solar.

A próxima sala nos mostra a delicadeza das formas de Domitila. Não é outro o pensamento que surge ao observarmos o conjunto de mesa e cadeiras para chá.

Diversos retratos, inclusive um que não se parece nada com ela, vieram de várias instituições governamentais. Aliás, esse é um traço forte da exposição: nenhuma peça veio de colecionadores particulares. Nessa sala podemos observar o célebre retrato de Domitila jovem que pertence ao Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. Após conversa com o editor Pedro Correa do Lago, da Capivara, parece que em 5 de dezembro teremos outro “suspeito” de ter pintado esse retrato, mas isso é outro artigo para este blog. Essa sala, não só a mim, mas a diversas pessoas com quem conversei, causou bastante impacto. São três telas a óleo retratando Domitila, além de duas fotos, móveis, textos de biógrafos e notícias de jornais ligando-a a temas, como a maçonaria e a Guerra do Paraguai. Se nem as cartas de amor fizeram você se emocionar, duvido que passe incólume por essa overdose de rostos que, envelhecendo, o contemplam com uma pergunta: “O que está fazendo na minha casa?”.

A velha senhora voltou!

A marquesa de Santos foi expulsa novamente de sua casa no Rio de Janeiro no começo de 2011. O Museu do Primeiro Reinado foi desativado, e seu acervo, enviado para um museu em Niterói. Domitila retornou à Pauliceia, onde foi reentronada no seu velho solar da antiga Rua do Carmo em apoteose. Mal se andava no local no dia da inauguração. Todos queriam ver as cartas, o retrato da amante, sua cama, o faqueiro e ouvir histórias a respeito dela. Domitila retornou e veio para ficar.

2011 abriu e fechou tendo Domitila de volta ao noticiário nacional. Em março foi o lançamento do meu livro “Titília e o Demonão”, trazendo as cartas perdidas escritas por d. Pedro à sua amante; em novembro, a reabertura do solar e a exposição. Em 2012 haverá mais. Em março: o lançamento da obra “A Carne e o Sangue”, na qual a historiadora Mary Del Priore biografa o triângulo amoroso Leopoldina x Pedro x Domitila, e em setembro: “Domitila, a verdadeira história da marquesa de Santos”. Aguardem!

 

Museu da Cidade de São Paulo
Rua Roberto Simonsen, 136, Sé, centro, São Paulo, SP.
Tel.: (11)3105-6118. Ter. a dom.: 9h as 17h. Entrada grátis

O Golpe da República em São Paulo

Na época não havia internet, mas o telégrafo cumpria bem a sua função; na tarde de 15 de novembro de 1889, o então presidente da província de São Paulo, gen. Couto de Magalhães, já tinha conhecimento do golpe militar ocorrido no Rio de Janeiro.

Nessa noite, a sede do Clube Republicano paulista fervilhava. Por aclamação, Prudente de Moraes, Rangel Pestana e o Major Souza Mursa deveriam governar o estado provisoriamente. Uma comissão formada por Campos Sales, Rangel Pestana, Martinho Prado Jr., entre outros, dirigiu-se para o Palácio do Governo, então no Pátio do Colégio, dar conta da escolha do novo governo constituído. Pediram que Couto de Magalhães entregasse a administração da província, porém o velho militar, veterano da Guerra do Paraguai, recusou a solicitação. Havia sido empossado em seu cargo por um governo legalmente estabelecido e só por ordem de outro, igualmente legal, se retiraria. Achava que a “quartelada carioca” não vingaria.

Mas, no dia seguinte, confirmada a notícia do golpe, da deposição do imperador e da prisão do ministério, Couto de Magalhães acabou por entregar o poder à junta e deixou o palácio entre alas respeitosas de populares, acompanhado por Prudente de Moraes.

Couto de Magalhães, monarquista convicto, recusou-se a participar do novo regime imposto. Convidado pelo Conselheiro Leôncio de Carvalho, como membro do Liceu de Artes e Ofícios, a juntar-se à delegação que ia visitar as autoridades recém-empossadas, recusou: “Tendo, porém, sido há pouco funcionário de alta confiança do governo decaído, julgo que a minha ida a palácio para cumprimentar oficialmente o governo provisório não teria outro efeito além de aumentar de mais um nome a longa lista daqueles que os republicanos antigos devem considerar como pretendentes importunos dos proventos e honras de uma situação que não ajudaram a criar”.

Republicanos de segunda, terceira, quarta e quinta hora é que não faltaram. Sobretudo na Câmara de São Paulo, onde somente três vozes se levantaram contra o golpe militar. Um dos mais veementes foi o vereador Vicente Pereira da Silva: “(…) se tivesse de atender unicamente as conveniências públicas, desde já prometeria (…) franca e leal coadjuvação aos que, a 15 do corrente mês, fundaram provisoriamente um novo regime político para esta grande nação, sob a ditadura militar; porque os povos precisam que, de tempos em tempos, se lhes sequestrem as liberdades para saberem o valor que elas tem (…). Até então, em nome da ordem, contribuirei, como puder, para a conservação da paz, mesmo porque movimentos políticos só servirão para justificar a manutenção do poder discricionário, medicamento violento que deve cessar, mal o doente pareça restabelecido”.

Quatro dias após a proclamação militar carioca, a câmara paulista baniu o restante dos símbolos monárquicos da cidade. Martinho Prado Jr. e outros vereadores instituíram novas designações para as ruas do centro da cidade. A rua do Imperador virou Marechal Deodoro; Imperatriz, 15 de Novembro; Princesa, Benjamim Constant; Conde D’Eu, Glicério; Príncipe, Quintino Bocaiuva; São José, Líbero Badaró; Comércio da Luz, Avenida Tiradentes; e a Praça 15 de Novembro foi rebatizada de Praça da República.

Nos dias que se seguiram, Leôncio de Carvalho e Couto de Magalhães trocaram diversas farpas pelas páginas do Diário Popular. O velho conselheiro retrucou a carta pública de recusa de Couto em ir cumprimentar os novos dirigentes e recebeu tréplica, na qual o governador deposto afirmava: “Isto, para mim, se é que é queda da monarquia, ainda não é estabelecimento da República, senão em nome, ainda não estou certo se caminhamos para ela ou se nos afastamos”. E, parafraseando o ministro do Interior recém-empossado, afirmava que o povo não havia tomado parte no movimento, mas sim “assistiu (…) bestificado, como quem assiste a uma parada”. A queixa contra a mudança dos símbolos nacionais também estava presente: “Constou aqui que o marechal Deodoro queria a continuação da bandeira nacional, com eliminação apenas da coroa. (…) No entanto, prevaleceu a bandeira com o lema positivista – ordem e progresso; somos a única nação do mundo que tem nisso um letreiro, o que é tão supinamente ridículo, que o povo aqui a denominou – bandeira marca cometa!”.

A indignação de Couto de Magalhães quanto à falta de previsão de uma nova constituinte iria se arrastar durante mais de um ano. Uma nova Carta Magna só seria promulgada em 1891 e, diferente da monarquia, que defendia a pluralidade de ideias e que não impediu o surgimento de partidos republicanos, proibia que fossem discutidos outras formas de governo que não o republicano.

Não sendo instituída pelo povo, não tendo sustentação das massas, a República brasileira fez-se pela força militar. O símbolo máximo da monarquia brasileira, a família imperial, seria banida por mais de trinta anos. Uma geração inteira cresceu sob a propaganda positivista, que demonizava a monarquia, transformando d. João VI em um glutão comedor de frangos, d. Pedro I em um devasso e d. Pedro II em um pseudossábio dorminhoco que se importava mais com múmias e aprender aramaico do que lidar com o governo de seu país.

Carta denúncia sobre a Bucha

Este documento foi achado no ano passado enquanto eu pesquisava sobre a BUCHA – a Sociedade Secreta das Arcadas. Trata-se de uma carta anônima enviada ao jornal O Estado de São Paulo, entre março e julho de 1932 – conclusão obtida pela referência ao então interventor do estado, Pedro de Toledo. Por motivos óbvios, o jornal não a publicou.

“A CAMORRA DE CIMA”

Toda evolução política do Brasil vem há muito tempo sendo controlada e impulsionada por uma Associação Secreta que hoje ameaça novamente sugjulgar o povo brasileiro, suicando todo o anseio de liberdade das massas.

Esta Associação, fundada nos moldes da já existente desde 1815, na Alemanha, aqui foi criada pelo exilado político Julius Frank, fugido da Alemanha e perseguido por suas idéias sociais Marxistas, amigo de Carlos Marx, é o seu túmulo venearado na Fraculdade de Dreito de São Paulo, pois foi nesse meio que ele escolheu para estabelecê-la, como uma associação de estudantes. É a cópia fiel da Associação Alemã. Até o nome foi conservado. Por ele vê-se perfeitamente a sua finalidade: BRUSCHENSCHAFT, que quer dizer CONFRARIA DE CAMARADAS. Camaradas foi sempre a designação usada pelos adeptos do comunismo. A sua estrutura é a mesma da Associação alemã: Conta três gáus: Catecumenos, Crentes e Apóstolos, dos quais são eleitos três para a sua suprema direção, que é vitalícia.

Os estudantes são selecionados nos seus dois primeiros anos de curso iniciado geralmente no terceiro ano. É uma sociedade rigorosamente secreta. O estudante escolhido para fazer parte da confraria é convidado para assistir a sua festa por dois ou três colegas, e a vir trajado a rigor. No dia determinado os colegas vão buscá-lo e aí tomam o compromisso sagrado pelo qual respondem com a vida, se por ventura fale sequer sobre o que lhe vai ser revelado. Mesmo que, uma vez exposto os seus fins, dela não queria ser parte.

Os fins aparentes são resumidos na sua fórmula fundamental de abertura das seções: FÉ – ESPERANÇA – CARIDADE.

FÉ, na ciência e a divulgação; fé na socieade para a qual pelo resto da vida estará ligado, sob terríveis juramentos; fé na sua proteção, pois terão para consquista de posições todas as facilidades.

ESPERANÇA, em serem sempre os senhores deste maravilhoso tonel e desta enorme população de ignorantes, onde eles são a verdadeira aristocracia.

CARIDADE, auxílio mútuo, em todas as emergências da vida, ao camarada.

Com o correr do tempo, simplificou-se o nme da confraria e ficou conhecida pelo nome de “BUCHA”

A “BUCHA” dirigia os estudantes através do Centro XI de Agosto. Todos os seus presidentes foram bucheiros, pertencentes ao apostolado e ao conselho dos doze, até que oposição acadêmica conseguiu vender a “BUCHA”, elegendo a direito do Centro para 1926 e trazendo para o domínio público o conhecimento da existênci dessa terrível camorra.

Tem ela em ela em suas mãos todos os altos poderes do Estado.

A ela devemos algumas campanhas na evolução política do Brasil, até 1922; assim a palavra de ordem foi dada para a campnaha abolicionista, para a proclamação da República, para o serviço militar obrigatório.

Quando se fundou o Centro Acabdêmico compunham a suprema direção da “BUCHA” os senhores: Pedro Lessa, Frederico Vergueiro Steidel, e Raphael Smapio, todos catedráticos da Faculdade; era chefe supremo o sr. Pedro Lessa. Por morte deste assumiu a direção o sr. Steidel.

Com a extraordinária expansão do país, achou Vergueiro Steidel conveniente fazer a explansão da “BUCHA”, estabelecendo-a em outras Escolas Superiores. Assim, propagou-se para a Esocla Politécnica e Faculdade de Medicina de São Paulo.

Foi ela quem fechou a Universidade de São Paulo.

Parte dela a oposição movida contra os engenheiros do Mackenzie College que encontram todos os entraves possíveis para venderem na vida. Vem cuminar esta oposição com o recente decreto do Governo Provisóiro invalidando diploma de engenheiro fornecido por esta escola.

Resolveu também Vergueiro Steidel criar um corpo externo que combatesse pleo programa da “BUCHA”. Fundou-se então a Liga Nacionalista propagando o voto secreto.

Já os anseios do povo brasilerio eram fortes para a sua libertação política e social: a “B UCHA”, com a fundação da Liga Nacionalista e Campnha do Voto Secreto, lançava uma máscara ao povo, tapenado-o na sua revolta contra os dominadores. Era o voto secreto para a Liga Nacionaista, a panacéia que haviera de regenerar as imoralidades administrativas e políticas, quase todas praticadas por membros da camorra.

O polvo bucheiro dominava discrecionariamente o Brasil todo. Tal o seu poder que o Barão do Rio Branco, homem de maior veneração dos brasileiros no período republicano, teve de vir a São Paulo responder perante a “BUCHA” por ter inconscientemente conversado sobre ela com um amigo que julgou ser também da confraria. Isto em 1905;

O grande Pinheiro Machado, pagou com a vida o ter-se oposto ás ordens da “BUCHA”. Foi por esta assassinado. Manso Paiva não foi mais que instrumento inconsciente.

O ridículo e o oprobio cobriram o Marechal Hermes da Fonseca: era um Presidente não bucheiro. Teve que suportar todo o peso da camorra.

A “BUCHA” mata quem se lhe opõe ou divulga o seu conhecimento!

Moacyr Pisa quis enfretá-la e foi por ela morto. Seu irmão silenciou por conveniência política.

Quando algum profado alegava imprevistamente ter conhecimento da “Bucha”, era forçado a calar-se ou ser iniciado, dizendo-se, então, na gíria bucheira, que tinha entrado pela janela. Foi o que aconteceu ao atual chefe de polícia, Thyrson Martins, que, quando ofi pela primera vez chefe de polícia em São Paulo, teve ciência, por seus inspetores de que havia reuniões secretas na rua da Liberdade; estávamos já em pleno período de intranquilidade. Abava de realizar-se a greve dos operários do Bras e da Moóca, greve que foi sufocada a metralhadora. Era presidente do Estado do bspo civil de São Paulo, Altino Arantes, representante do cleo junto a “BUCHA”.

Thyrson Martins, homem corajoso, quis pessoalmente dirigir a diligência. Dado o cerco a casa, ele em pessoa fez abrir a porta em nome da polícia e qual não foi o seu espanto, quando lhe apareceu o secretário da justiça, o estão Elou Chaves, encasacado e também o beatífico queixo do sr. Altino Arantes, presidente do Estado.

Caira o Sr. Thyrson Martins em cheio na “BUCHA”. Resultado: entrou pela janela, sendo iniciado nessa mesma noite; depois de ter dispensado os seus inspetores. A grei estava toda reunida: Steidel, Rapahel Sampai, Reynaldo Porchat. Quem deu as boas vindas ao neófito, foi o orador oficial da “BUCHA” na época, o dr. Lino Moreira, genro do atual interventor de São Paulo, Pedro de Toledo. Vejam bem por aí a missão de Pedro de Toledo em São Paulo. Como bom bucheiro restabeleceu o domínio absoluto da “BUCHA”.

É hoje o sr. Thyrson Martins um dos seus apóstolos. Os anseios de liberdade do povo são sempre abafados pela camorra e de uma maneira magistral.

Fazem com que as oposições sejam chefiadas pelos bucheiros; assim o povo, na sua ignorância, julga ter chefes quando não tem mais do que traídores. A campanha da Liga Nacionalista pelo voto secreto é o princípio de tomada de posições para desviar os anseios do povo.

Chegamos em pleno regime revolucionário. Temos a revlução de 1924 em São Paulo. parece como um de seus chefes civis o Dr. José Carlos de Macedo Soares, influenciando e anulando o bravo e generoso general Izidoro Dias Lopes. Para valizarmos a hiporcrisia deste bucheiro graduado, ex-presidente do Centro Acadêmico, basta notarmos que, sendo ele chefe civil de uma revolução, foi quem escondeu em sua cas Sylvio de Campos e irmandade. Foi desde então o fiscal destacado pela Câmara conta Izidoro e vemos como, depois de 1930, consegue anular a ação do general Izidoro, incotestavelmente um dos ídolos de São Paulo. Acabada a obra de destuição de Izidoro; ei-lo gozando as delícias de uma embaixada. “

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