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Estadão repagina-se e apaga história paulistana

Este ano, o jornal “O Estado de São Paulo” mudou de visual, e de símbolo. Ao estilizar seu logotipo, apagou a paisagem bucólica de uma São Paulo provinciana.

O ex-libris tomado como logo prestava uma homenagem ao primeiro jornaleiro paulistano, o francês Bernard Gregoire, que em 1876 passou a andar vagarosamente com o seu cavalo pelas estreitas ruas de São Paulo de Piratininga, tocando sua corneta e anunciando a venda da edição do dia de “A Província de São Paulo”, por 40 réis. O jornal “A Província” viria, anos mais tarde a se transformar em “O Estado de São Paulo”.

Além de Gregoire, o ex-libris retrata uma paisagem que já não existe mais. A construção às costas do jornaleiro é o prédio da antiga Sé de São Paulo, demolido no começo do século passado, e a outra edificação é a antiga Igreja de São Pedro, igualmente desaparecida. Para o paulistano localizar-se, nos dias de hoje o prédio da Caixa Econômica, na Praça da Sé, ocupa o lugar da igreja de São Pedro, enquanto que a igreja da Sé tem seu lugar assinalado pela estátua de Anchieta em um canto da atual praça da Catedral paulistana, próximo à Rua Direita.

Nos anos 30 do século XX, o artista José Wasth Rodrigues (1891-1957) confeccionaria para o jornal esse ex-libris. Wasth Rodrigues foi um importante pintor e desenhista paulistano do início do século. Seus trabalhos são os mais variados: é autor do desenho do brasão da cidade de São Paulo, em coautoria com Guilherme de Almeida; realizou as pinturas dos azulejos dos monumentos do antigo Caminho do Mar e da reurbanização do Largo da Memória; fez pesquisas históricas e arquitetônicas que deram origem a livros como o “Documentário Arquitetônico”, ainda hoje editado, e o raríssimo “Uniformes do Exército Brasileiro”, em coautoria com Gustavo Barroso. Dedicou-se à pintura de óleos e aquarelas, sempre com motivos brasileiros, por conta de seu nacionalismo convicto.

E assim, com este post, inauguro este espaço, que mais que um muro de lamentação pelo descaso com a história paulistana, tem a pretensão de ser um canto de histórias e “causos” sobre a cidade. Aqui pretendo falar de seu passado, de seus fantasmas, da beleza de uma cidade que, como algumas mulheres, não se entrega fácil a um primeiro e descuidado olhar.

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  1. 07/08/2010 às 01:05

    Boa iniciativa, Rezzutti. Esse blog poderá se tornar uma ótima fonte de pesquisa para estudantes.

    Eu que, sou estudante de jornalismo, fiquei muito contente de saber dessa história sobre as origens do jornal “O Estado de São Paulo”. Muito interessante.

    Abraço e boa sorte!

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