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Postais Paulistas

Tenho um tio-padrinho com quem gosto muito de conversar. Ele nasceu na década de trinta do século passado, tem mais idade que minha tia, irmã de minha mãe. No Dia das Mães, papo vai, papo vem, falei sobre o blog que estava criando e ele comentou comigo sobre o jornalista Frederico Branco, que tinha uma coluna no Jornal da Tarde onde contava histórias sobre São Paulo. Lembrou-se que havia sido publicada uma coletânea delas em forma de livro: “Postais Paulistas”. Porém meu tio não havia ido atrás da obra. Para que uma coletânea se ele havia colecionado, recortando e guardando, todas as colunas que haviam sido publicadas?

Como a urgência da juventude calou fundo, parti para a busca desenfreada ao referido livro. Afinal, crônica hoje só para falar mal do governo, do plano de saúde, da escalação do time do Brasil, enfim, para criticar algo ou alguém. Rememorações, sem ranço saudosista, sobre a cidade é algo quase impossível de achar nos jornais atuais.

O livro novo custa R$ 59,00. Comprei um de segunda-mão por R$ 7,00. Mandei vir de uma livraria em Curitiba; aproveitei e pedi mais de um, para presentear meu padrinho. Recorte de jornal não dá para ler direito nem na cama, que fará em outros lugares onde pessoas que cultivam o hábito da leitura adoram se trancar e esquecer da hora.

Quando o livro chegou… me encantei. Estou mortificado de nunca ter ouvido falar a respeito do Frederico Branco, que na intimidade da leitura já virou Fred. É impossível não se identificar com alguém que viveu e descreveu São Paulo com tanta familiaridade, humor e elegância. A crônica dele a respeito do Largo Guanabara e da Igreja de Santa Generosa me conquistou definitivamente. Meu avô tinha uma oficina mecânica, a Vulcanização Guanabara, que originariamente localizava-se no Largo Guanabara.

Largo Guanabara e Igreja Santa Generosa, 1958

Com a abertura da av. 23 de Maio, o largo e a Igreja de Santa Generosa, que lá existia, foram demolidos, e a oficina de meu avô foi parar na r. Maestro Cardim, atrás da antiga Sears, hoje Shopping Paulista. Meus avós se casaram nessa igreja, que ficava onde hoje está o viaduto Santa Generosa, próximo da estação Paraíso do metrô. Uma réplica, menor, foi construída posteriormente do outro lado da av. Bernardino de Campos, e continua lá até hoje.

Paraíso hoje, maio de 2010.

Outro achado no meio de suas crônicas são os textos a respeito dos chás do Mappin, na praça Ramos, e sobre o Martinelli, na São Bento. Aliás, essa última matou-me uma curiosidade que agora compartilho devidamente esclarecida por quem viveu a época. O antigo cine Rosário que ficava no Martinelli é onde hoje está a agência do Itaú!

Comecei a escrever esse texto, na realidade, para contar a respeito dos 32 paulistas que participaram, ou melhor, tentaram participar das Olimpíadas de Los Angeles, em 1932, e seu envolvimento com a Revolução Paulista, mas sabem como é prosa. Quando se começa, nunca se sabe como termina. Fico devendo esse outro causo.

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  1. georgia branco
    20/07/2011 às 11:40

    QUE LEGAL! PRAZER, SOU GEORGIA BRANCO, FILHA DE FREDERICO BRANCO, UM ABRAÇO E OBRIGADA!!!!!!

  2. Gilmar Carneiro
    28/07/2011 às 13:21

    Gostei do texto, que descobri a partir da procura sobre Frederico Branco, ao ler o blog de ricardo Kotscho, onde elogiava a sabedoria do Professor de Jornalismo e chefe Fred. E gostei mais ainda de ver o agradecimento de Georgia Branco. Tudo muito humano e muito agradável. Parabéns a todos.
    Gilmar Carneiro

    • georgia branco
      04/10/2011 às 17:05

      Um prazer enorme Gilmar!
      Obrigada pelo carinho!

  3. Nelson
    14/11/2011 às 12:59

    Boa Tarde!

    vc saberia me dizer se o ex-goleiro Tuffy do Corinthians trabalhou no Cine Rosário depois que parou de jogar?

    Obrigado,

    Nelson

  4. Nelson
    15/11/2011 às 23:01

    mto obrigado pela atenção, Paulo!!

    abçs

    Nelson

  5. jose paulo de campos e silva
    21/10/2013 às 10:15

    também gostei do livro do frederico branco. embora já tenha 72 anos não vive a época de que ele trata, mas tenho muita saudade dela. falar de são paulo é muito difícil, pois os referenciais vão mudando, tornando-se impossível revisitá-lo. , na minha infância era a praça de sé, depois república e adjacências, depois a paulista, depois a faria lima, depois a berrini, depois…. assim não dá

  6. Yuri Branco
    06/03/2014 às 13:01

    Que massa!
    Sou sobrinho da Georgia Branco (acima) e neto do Frederico Branco, o livro dele é uma inspiração^^
    Grato pela lembrança!

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