Início > Sem categoria > São Paulo, cidade murada

São Paulo, cidade murada

cidade muradaIlustração, presumivelmente de Nuto Santana, feita para o jornal O Estado de S. Paulo de 25-01-1954

Por Edison Loureiro

A vida não devia ser nada fácil para os primeiros povoadores da São Paulo. Sujeitos que estavam aos ataques de indígenas inimigos, a cidade foi, por muitos anos, cercada de muros.

Bem, cidade é um pouco de exagero, era apenas uma pequena vila. Não pensem também numa muralha de pedra ao estilo das antigas cidades europeias como Toledo na Espanha, pois pedras na havia aqui. Eram muros feitos de taipa de pilão, terra socada mesmo.

Quando os jesuítas se estabeleceram seu Colégio na colina que os índios chamavam de Inhapuambuçu, ou “morro que se vê de longe”, talvez não tenham precisado de fortificação considerando as técnicas diplomáticas de convencimento e aproximação usadas por eles. Mas em 1560 os portugueses e mamelucos de Santo André da Borda do Campo foram transferidos para Piratininga levando consigo a cultura escravocrata, o tratamento duro dispensado aos índios e o ressentimento que várias tribos tinham para com eles. Daí sofrerem muitas vezes os moradores da vila ataques ferozes. O de 1562 foi especialmente sério, sendo João Ramalho nomeado “capitão da guerra” em junho daquele ano, com plenos poderes.

Nuto Santana, examinando as Atas da Câmara registrou que volta e meia os moradores abriam passagem nos muros ou colocavam portas para comodidade e eram forçados sob pena de pesadas multas a fechá-las. Proibia também a instalação de chiqueiros de porcos encostados nos muros. Obrigava também aos que tivessem edificações junto aos muros, que colocassem “flecheiras para a banda do campo”.

Toda a manutenção e reparo dos muros eram feitos por conta dos moradores. A Câmara vivia em penúria financeira, e assim seria por muitos anos ainda. Certa ocasião, um vereador, Antonio Fernandes, vendeu uma das portas da murada a André Burgos por 250 réis. Mas não foi para embolsar o dinheiro, e sim para pagar o ordenado do porteiro da Câmara, João Galego Dias. Houve protesto por parte de Afonso Sardinha e, no fim da história, os vereadores notificaram a Antonio Fernandes para que devolvesse a tal porta sob pena de multa de 200 réis.

Com a expansão da vila, novos muros foram construídos alargando-se a área protegida. Lá pelo final do século XVI com a expansão da vila e as incusões das bandeiras e entradas a ameaça foi sendo extinta e os muros tornando-se inúteis foram sendo abandonados, sem trato ou reparos acabaram desaparecendo.

Fonte

Santana, Nuto – Os muros defensivos da vila – O Estado de São Paulo de 25-01-1954.

Anúncios
Categorias:Sem categoria
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: