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O Bispo e as Crianças

Rua do Carmo 1910

Rua do Carmo em 1910

Por Edison Loureiro

A foto, de 1910, mostra um trecho da Rua do Carmo que não mais existe. É no começo da Av. Rangel Pestana, que ficava à direita na foto. A Av. Rangel Pestana era bem mais estreita, íngreme e chamava-se Ladeira do Carmo. Lá embaixo da Ladeira do Carmo, antes da ponte que levava ao Brás o lado esquerdo estava sempre esburacado pela erosão das águas servidas que por ali escorriam, além do lixo que deixavam por lá e por isso era chamado Buracão do Carmo.

A torre na esquina à direita, era do Recolhimento de Santa Tereza, na casa do meio funcionou a Escola Modelo do Carmo, depois Grupo Escolar do Carmo, dirigida por Caetano de Campos com a assistência de Miss Browne.

Na primeira casa à esquerda da foto morou o bispo Mateus de Abreu Pereira (1742-1824), quinto bispo de São Paulo. Foi ele que recebeu D. Pedro I neste mesmo local, em 25 de agosto de 1822 e o resto da história vocês já sabem.

Dizem vários cronistas que o bispo foi conhecido por ser pessoa caridosa e quando morou naquela casa não era raro ouvir choro de recém-nascidos que vinham do Buracão do Carmo. As crianças enjeitadas eram abandonadas naquele local, onde era comum o despejo de lixo.

O bispo, com medo que a criança fosse devorada por porcos que por ali reviravam a sujeira, mandava algum criado recolher o pobre pequenino a toda pressa e da janela mesmo o batizava e mandava abrigar.

O primeiro presidente da Província de São Paulo, que tomou posse em abril de 1824, apenas dois meses antes da morte do bispo D. Mateus e foi provedor da Santa Casa de Misericórdia, instituiu logo em 1825 a Roda dos Enjeitados no hospital da Santa Casa, então na Rua da Glória no local conhecido antigamente por Chácara dos Ingleses, para acabar com tão feio costume. A Santa Casa mudou-se e a Roda mudou junto e funcionou até junho de 1949 na Rua D. Veridiana. Quem quiser pode visitá-la no Museu da Santa Casa.

Por outro lado, apesar da existência da Roda, o costume de abandonar crianças na rua persistiu por longo tempo, conforme podemos ver por notícia publicada no jornal Correio Paulistano de 9-01-1874, reproduzida abaixo.

CP 9-1-1874 Batuíra

O conhecido entregador de jornaes mencionado é Antônio Gonçalves Batuíra, que se tornaria conhecido no futuro não por entregar jornais, mas por seus atos de beneficência e obras pioneiras no Espiritismo. Mas esta história eu já contei aqui

 

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  1. 23/12/2015 às 17:28

    Muito bom!!!

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