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Os Crimes do Preto Amaral

frente e perfil

Por Edison Loureiro

Na tarde do dia 4 de janeiro de 1927, José Augusto do Amaral estava nas imediações do antigo Mercado Municipal1 da Rua 25 de Março como sempre fazia nos últimos dias. A temperatura andava amena naqueles dias de verão paulistano, em torno de 24o e o céu encoberto. Sem ocupação fixa, Amaral vivia a cata de biscates, arriscando a sorte no jogo pelos arredores ou mesmo fazendo alguns pequenos furtos. Era um negro de estatura mediana, 56 anos e muito musculoso.

Mas havia várias noites que Amaral não conseguia dormir direito. Via fantasmas, especialmente o daquele jovem de seus 17 ou 18 anos. Outra noite foi dormir num albergue da Rua Mauá. Era um quarto com quatro camas, mas ele estava sozinho. De madrugada sentiu-se sufocado, abriu os olhos e viu a figura do jovem olhando fixamente para ele. Assustado, levantou-se e abriu a janela, mas com a claridade da lua arregalou os olhos, pois percebeu uma mão forte passar pela janela à procura de seu pescoço.

Apavorado, vestiu-se às pressas e saiu do quarto em busca do proprietário.

– Abra a porta, preciso viajar!
– Está bêbado? São três horas da manhã! Volte a dormir.

Amaral obedeceu, voltou ao quarto e deitou-se. Mas continuou a ver o jovem lá, sentado numa das camas desocupadas com o olhar fixo nele. Correu de volta ao proprietário e exigiu que abrisse a porta, saiu e perambulou pela cidade, sem rumo até o amanhecer.

Vivia atormentado por essas visões. Por este motivo não ofereceu resistência nem tentou fugir quando viu os policiais. Entregou-se calmamente quando, às quatro horas da tarde, eles o encontraram.

…………………………………………………………………………………………………

Tudo começou no entardecer do primeiro dia do ano de 1927 num subúrbio de São Paulo. No quilômetro 39 da estrada velha de São Miguel, perto de uma localidade chamada Villa Esperança2.  Foi lá que um passante avistou o cadáver de um garoto vestido somente com os restos de uma camisa meio escondido no mato à beira do caminho. Correu em busca do posto de gasolina que ficava perto, a uns dois quilômetros da Penha, era o último que havia naquela velha estrada até São Miguel.

A comunicação demorou a chegar à Repartição Central da Polícia. Somente às 21h o comissário de serviço ficou sabendo da ocorrência, e, pelas circunstâncias do comunicado achou mais conveniente notificar a Delegacia de Segurança Pessoal do Gabinete de Investigações. Assim é que às 23h chegaram as autoridades e mais o médico legista, Dr. Azambuja Neves ao local indicado. Um pequeno atalho da estrada de S. Miguel.

O menino era branco, muito claro, de olhos verdes e cabelos castanhos, aparentava ter treze anos e vestia apenas uma camisa xadrez curta e esfarrapada. No pescoço um cinto de brim estava fortemente amarrado. O médico constatou que fora estrangulado e que havia sinais de estupro. O crime ocorreu entre 15 e 16 horas. Devido à escuridão da lua nova e o tempo encoberto, não foram encontradas as outras vestes do menino naquela noite.

Já eram duas da madrugada quando voltaram à delegacia e o corpo removido para o necrotério da Repartição de Polícia, na Rua 25 de Março.

Logo no dia seguinte, o delegado Dr. Juvenal de Toledo Piza encarregou o comissário Ramiro Garcia das investigações. Nas imediações do local do crime foram encontrados os restos das roupas do menino e um boné de casimira xadrez que provavelmente também pertencia a ele.

Detiveram também um suspeito nos arredores do local do crime. Mas não conseguiram nenhuma informação sobre a identidade do menino.

Somente no dia 3 de janeiro apareceu um jovem aflito no Gabinete de Investigações na Rua dos Gusmões, procurando informações sobre seu irmão menor. O jovem, de dezessete anos era José Lemes de Vasconcelos que morava com a mãe e o irmão na Vila Maria. Tinham vindo a poucos meses de São José dos Campos, onde o pai estava em tratamento de saúde. Disse que seu irmão, Antonio, de 15 anos de idade, trabalhava na fábrica de tecidos de juta Sant’Anna e tinha saído de casa na manhã de sábado dia 1º às sete horas da manhã e não voltou. Usava paletó cáqui, calças de brim claro e estava descalço, com o pé doente. Usava boné.

Quando lhe mostraram o boné encontrado no local do crime, José Lemes o reconheceu como o do seu irmão. Mas quando o Dr. Juvenal Piza mostrou-lhe a fotografia do corpo encontrado, o jovem entrou a chorar descontroladamente e disse que não podia reconhecer e só sua mãe seria capaz de fazê-lo.

Devido ao estado emocional do rapaz, o delegado mandou que o levassem para casa e trouxessem sua mãe para reconhecer a vítima. Mas não foi encontrada, estava também tentando encontrar notícias do filho.

AlbertosFotos publicadas no jornal Correio Paulistano do dia 04-01-1927

No dia seguinte tudo seria esclarecido. O menino era mesmo Antonio Lemes, e o delegado Dr. Juvenal de Toledo Piza, já traçava um plano diferente para a investigação, pois os suspeitos que tinham arrolado se mostraram todos inocentes, pois tinham bons álibis. Mas nesse dia o acaso trouxe uma pista preciosa.

Às duas horas da tarde apareceu no Gabinete de Investigações uma pessoa pedindo para falar com o Dr. Juvenal Piza. Tratava-se de Roque de Cerqueira Leite3, um eletricista viúvo que trabalhava numa casa de eletricidade na Praça da República, esquina com a Rua Ipiranga, onde também morava.

O delegado, que não tinha absolutamente nenhuma pista recebeu-o. Disse que lendo as notícias sobre o crime da estrada de S. Miguel lembrou-se de um fato que na ocasião chamou-lhe a atenção. No dia de Ano Novo foi almoçar, entre 10 e 11 horas, no restaurante Meio-Dia da Rua Lourenço Gnecco4, como era seu costume. Estava já sentado na mesinha do botequim, quando viu entrarem no estabelecimento um “preto reforçado”, de seus 50 anos e dois garotos, um dos quais trajando paletó cáqui, boné xadrez e com as características descritas nos jornais. O tal “preto reforçado” estava ficando conhecido por ali nos últimos dias, tal a frequência com que aparecia.

Um dos garotos sentou-se em mesa separada e tomou apenas um café com leite. O outro garoto, o de paletó cáqui, sentou-se à mesa com o negro e almoçaram conversando baixinho. Notou que além de pagar a conta, o negro ainda deu uma moeda de dois mil réis ao menino. À saída ouviu bem quando o preto despediu-se do que ficara separado dizendo que os esperassem, pois iriam à Penha e não demoravam.

Após ter lido sobre os acontecimentos nos jornais, Roque achou melhor relatar os fatos que talvez pudessem auxiliar nas investigações.

Foi tiro e queda. Os policiais acompanhados de Roque foram naquela mesma tarde à Rua 25 de Março e às 4 horas da tarde encontraram José Augusto do Amaral, que não ofereceu nenhuma resistência.

Recolhido à delegacia, foi interrogado pelo próprio delegado. Disse seu nome, idade, que havia nascido em Conquista, Minas Gerais, não sabia ler. Quando foi mencionado o crime, para espanto geral e com uma calma surpreendente confirmou que era ele próprio o autor do bárbaro crime e ia relatar não só este, mas outros que cometeu durante o mês de dezembro passado. E foi contando…

No dia primeiro do ano andava pelos arredores do Parque D. Pedro II, perto do mercado de verduras, quando um grupo de meninos que estavam jogando alguns niqueis chamou sua atenção. Ao lado deste havia outro grupinho jogando cartas e Amaral entrou no jogo ganhando algo em torno de dez ou onze mil réis. Foi aí que viu o garoto de boné e interessou-se por ele. Aproximou-se, fez camaradagem e logo estavam almoçando.

Depois foram para o Largo do Mercado onde tomaram o bonde “cara-dura”5 para a Penha. O garoto tinha parentes na Penha e às vezes ia até lá, como tinham feito camaradagem o menino o acompanhou no passeio. Desceram no ponto final e foram caminhando pela estrada de S. Miguel, parando às vezes em algum botequim onde tomou uns tragos de cachaça.

bonde para operários celso garcia 1916O bonde “cara-dura” da linha Penha

Caminharam por uns dois quilômetros até chegar ao local onde existe um atalho sem saída recém-construído.  Foi aí que sem que o menor percebesse imobilizou-o com o braço esquerdo e esganou-o com a mão direita. O menino logo desmaiou e estava morto ao chegar ao chão. Em seguida arrancou-lhe as calças, rasgou a camisa e o estuprou.

O próprio delegado custava a acreditar na veracidade do relato, considerando a naturalidade e a espontaneidade de Amaral, mas os fatos coincidiam com as narrativas de Roque Leite e mesmo do proprietário do restaurante Meio-Dia que também havia sido ouvido.

Mesmo assim, foi o delegado pessoalmente acompanhado do acusado ao local do crime para que ele identificasse o local exato e as circunstâncias. Amaral mostrou o local onde o crime havia sido praticado e para onde o cadáver havia sido removido.

Na volta à delegacia Amaral, com muita calma e serenidade continuou sua história.

Amaral havia sido preso várias vezes, por infrações menores, sendo a última em 1926 como desertor do Exército e indultado no dia 19 de novembro daquele ano.

Quinze dias depois de sair da cadeia cometeu o primeiro crime da série.

Estava sentado em um banco na Av. Tiradentes quando um rapaz, que lhe aparentou uns 16 anos, lhe pediu um cigarro. Aí começaram a conversar e como o rapaz lhe disse que estava com  fome e não tinha recursos, levou-o ao restaurante do Cunha, na esquina da Av. Tiradentes com a João Teodoro e pagou sua refeição. Convidou-o então para ver o futebol de várzea no Campo de Marte.  Já chegando, atrás de um bambuzal, agarrou o rapaz, que tentou resistir, mas não conseguiu. Esganou-o e praticou o estupro.

Alguns dias depois, foi a vez de um menino de seus 12 anos, filho de uma viúva que morava no Pari. Convidou-o a ir à sua casa buscar umas gaiolas e acabou o atacando no mesmo Campo de Marte, onde deixou o corpo.

Houve ainda um terceiro crime, mas desta vez, algo saiu errado. Estava na Av. Celso Garcia, às oito da noite, em frente ao Cine Brás Polytheama quando viu um engraxate, um menino de dez anos. Perguntou se ele queria fazer um pequeno carreto e receberia de pagamento quatro mil réis. O menino achou que valia a pena e foi com ele. Chegando à ponte do Tamanduateí, próximo à estação do Tramway da Cantareira, o atacou e começou a esganá-lo até que o menino desmaiou. Amaral, porém assustou-se com algum ruído, abandonou o corpo e fugiu. Mas não conseguia sossegar, lembrando-se do menino. Quando amanheceu o dia voltou, mas o corpo havia desaparecido.

1918mA antiga estação do Tramway da Cantareira e a ponte do Tamanduateí

Eram casos desconhecidos para a polícia e havia a necessidade de sindicâncias. Lá foram as autoridades ao campo de Marte, montando cavalos da Força Publica. Os cavalos eram necessários porque o rio Tietê serpenteava por ali e na época das chuvas de verão o local se transformava num pântano. Amaral ia guiando os investigadores até que passando um bambuzal encontraram uma ossada humana já quase completamente descarnada.

– É isso mesmo! É de um dos meninos… O outro deve estar mais adiante – falou Amaral com naturalidade.

– Aqui está! – exclamou.

No meio de uma folhagem enlameada jazia o corpo de um menino, com as pernas quase intactas e o corpo meio descarnado, provavelmente pela ação de cães famintos. Ali perto as calças enlameadas.

– Esse é o das gaiolas… Disse Amaral.

Ao final a história, que parecia meio fantasiosa, se confirmava verdadeira. As identidades foram sendo apuradas e ao final ficou tudo esclarecido.

O rapaz da Av. Tiradentes, não era um menino, chamava-se Antonio Sanchez, tinha 20 anos, era de compleição franzina, imberbe e um tanto efeminado, parecia realmente ter não mais que 17 anos e estava desaparecido desde o dia 6 de dezembro da casa onde morava.

Já o menino enganado pela promessa das gaiolas era José Felipe de Carvalho, de 10 anos.

Quanto àquele da ponte do Tamanduateí, a história foi diferente. Estando o delegado Juvenal Piza na estação da Luz dia cinco de janeiro às cinco horas da manhã, por motivos pessoais, foi abordado pelo carregador 259, Carmine Pezzino, que queria aproveitar a oportunidade para relatar um fato ocorrido com seu filho que deveria ter relação com o caso do “preto Amaral”.

Indo ao Gabinete de Investigações à tarde, com o menino, Rocco Pezzino, contou exatamente a história que Amaral já havia contado, porém ainda não havia sido publicada. Acrescentou que ao chegar à ponte, Amaral agarrou-o com um gesto brusco e apertou sua garganta. Desfaleceu e só foi despertar altas horas da noite, com sangue no rosto, sujo de terra e com a roupa rasgada. Um motorista e um policial o socorreram e o levaram para casa.

Ao avistar Amaral o menino o reconheceu e Amaral confirmou toda a história.

No curso das investigações Amaral foi submetido a exames psiquiátricos e antropométricos tendo em vista as teorias “científicas” da Escola Positiva da época que, baseadas em César Lombroso e outros que afirmavam ser possível reconhecer “personalidades criminosas” através da análise de seus traços físicos.

No caso de preto Amaral, o tamanho “descomunal” e “desmedido” de seu pênis foi utilizado para identificar o estigma de sua degenerescência, sua anormalidade e sexualidade invertida. Questionado se costumava ter relações sexuais com “mulheres da vida”, respondeu que sim, porém nenhuma o aceitava novamente.

No dia 5 de janeiro houve oportunidade para que os repórteres entrevistassem Amaral, quando ele demonstrou sua personalidade atormentada dizendo:

– Sei que vou ser condenado a trinta anos de prisão e acho isso pouco para punir os meus crimes. Preferia que aqui houvesse a pena de morte. Queria eu próprio comandar os soldados para o meu fuzilamento, é isso que eu mereço.

José Augusto do Amaral foi denunciado em 12 de fevereiro de 1927, mas não chegou a ser julgado. Morreu de tuberculose na enfermaria da Cadeia Pública no dia 2 de junho do mesmo ano. Não foi o pelotão de fuzilamento que ele queria, mas agora teria a oportunidade de apresentar-se a um Tribunal Superior e conseguir o alívio desejado. Passaria à história como o primeiro “serial killer” brasileiro.

CP 03-06-1927 recorteJornal Correio Paulistano de 03-06-1927

Observação: Em 20 de setembro de 2012 houve, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, um espetáculo teatral representando um Júri simulado do caso Preto Amaral no qual participaram um procurador da Justiça, um defensor público e dois criminalistas de primeira grandeza. Aventou-se a hipótese de que Preto Amaral tenha sido torturado para confessar seus crimes. É possível que tenham existidos maus-tratos, pois estes já eram recorrentes nas delegacias naquela época, porém pela leitura dos jornais e das entrevistas feitas com o próprio criminoso é difícil crer-se nesta hipótese, pois desnecessária, visto tratar-se de uma pessoa atormentada e procurando alívio, como ele próprio afirmou aos repórteres durante a entrevista descrita acima.
No Júri simulado preto Amaral foi absolvido pela plateia presente por 257 votos a favor e 57 contra.

Notas:
1 – O antigo Mercado Municipal ficava na Rua 25 de Março, onde está hoje a Praça Fernando Costa.
2 – A estrada velha de S. Miguel é o antigo caminho para o Rio de Janeiro. O trecho citado atualmente é a Av. Amador Bueno da Veiga, junto ao bairro Vila Esperança.
3 – Em alguns jornais foi grafado com Roque Siqueira Leite.
4 – A Rua Lourenço Gnecco ficava do lado direito do antigo mercado, de quem está de frente para o rio Tamanduateí, hoje seria o lado direito da Praça Fernando Costa.
5 – Os bondes “cara-dura” eram bondes destinados a operários, pois tinham tarifa mais baixa e levava um reboque. Conforme o contrato com a Prefeitura apenas operários descalços ou carregando suas ferramentas poderiam usá-los. Porém acabavam sendo utilizados por todos os que estavam com poucos recursos, daí o apelido.

Fontes:
Jornal Correio Paulistano, edições de 02/01/1927 a 08/01/1927.
Jornal O Estado de S. Paulo, edições de 02/01/1927 a 08/01/1927.
SOUZA CAMPOS, Paulo Fernando de, OS CRIMES DO “MONSTRO NEGRO”: REPRESENTAÇÕES DA DEGENERESCÊNCIA EM SÃO PAULO, trabalho apresentado no XXII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – João Pessoa, 2003.

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  1. Carla Battistella
    05/01/2016 às 11:41

    Nossa,que história.Eu ignorava que a pedofilia fosse tão antiga assim.Muito interessante saber de tudo isso!

  2. ernani
    05/01/2016 às 14:06

    Existiam muitos crimes dessa natureza!… Na década de 50 havia também um estuprador e matador de crianças lá pelos lados do Tatuapé. Salvo erro o assassino também era negro. Outro assassino era o monstro da Estrada de Vila Ema. Eu era muito criança e não ficava muito ligado. Mas ouvia os comentários das pessoas.

  3. 05/01/2016 às 15:28

    Muito interessante e trágica história. excelente texto.

  4. BEATRIZ NOGUEIRA CALAÇA
    31/10/2016 às 15:59

    Eu moro aqui perto da Vila Esperança e minha mãe já contava historia do homem que pegava os meninos, por isso meus irmãos não saiam sozinhos de jeito nenhum,

  5. Denise Gigliotti
    31/10/2016 às 16:08

    Que história !!! imaginando aquela época…

  6. V
    28/01/2017 às 17:57

    “Grandes criminalistas” politicamente corretos, inocentando um pedófilo/serial killer.

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