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A história do Bar Viaducto

Por Edison Loureiro

SPP48a 30X40pO Café São Paulo e Bar Viaducro na Década de 1910, esquina das ruas Líbero Badaró e Direita

Os mais antigos devem se lembrar do famoso e elegante Bar Viaduto. Ficava na Rua Direita, 141, pertinho da Quintino Bocaiúva e do Palacete Toledo Lara onde se instalou a Rádio Record durante muito tempo. Os funcionários e artistas da Record eram sempre encontrados por lá. Famoso por seus sorvetes e petiscos e elegante por sua frequência e pela orquestra instalada no mezanino.

Mas o que talvez poucos saibam é que sua história remonta ao começo dos anos 1890.

A referência mais antiga que eu localizei é de um pequeno anúncio de jornal apregoando as qualidades do Café Viaducto que poderia ser encontrado no estabelecimento de “molhados finos de Borges, Milhomens & Guimarães, na Rua Direita, canto do Viaducto”. Em 1893, não era necessário dizer que se tratava do Viaduto do Chá, inaugurado no ano anterior, pois não havia outro na cidade.

Não encontrei nenhuma evidência, mas é provável que além de vender o café torrado e moído, também servisse a bebida preparada aos seus fregueses a exemplo do que faziam os outros poucos estabelecimentos similares que existiam em São Paulo.

1 - CSP 08-06-1893 cropJornal O Commercio de S. Paulo de 08-06-1893

Já em 1895 Milhomens e Guimarães saem da sociedade, que passa a ser dirigida por Antonio Monteiro Soares e Pedro Antonio Borges com a firma Monteiro & Borges e continuaram a vender café no mesmo prédio do “canto do Viaducto”.

Foi em 1907 que aconteceu a grande transformação. Já com Pedro Antonio Soares fora da sociedade que agora se chamava Monteiro &Comp., o jornal Correio Paulistano informava que “os proprietários do Café Viaducto transformaram este antigo estabelecimento numa bem installada confeitaria”. A inauguração foi em seis de dezembro, uma sexta-feira, com direito a uma “lauta mesa de doces regada a champagne” e orquestra animando a festa. Manteve-se no mesmo local, Rua Direita, esquina com a Líbero Badaró, “canto do Viaducto”. Logo em seguida inaugura uma filial na Av. Duque de Caxias com a Rua dos Guaianazes, no então elegante bairro do Bom Retiro.

5 - CP 06-12-1907 cropJornal Correio Paulistano de 06-12-1907

Em 1909 o Bar Viaducto é adquirido pelo Depósito de Café São Paulo, que pertencia à empresa Alves & Azevedo e muda o depósito para o local do bar Viaducto, mantendo seu “confortável ‘Salão-Bar’ e bem montada confeitaria”.

Mas não ficou por muito tempo no “canto do Viaducto”. Aquele prédio foi demolido em 1912 para a construção da residência do Conde Prates, que parece que nunca chegou a morar no local. Acabou abrigando o Grand Hôtel de La Rotisserie Sportsman, depois a sede do jornal Diário da Noite, nos anos 1930 cedeu o lugar para o edifício de mármore travertino que abrigou a sede das Indústrias Matarazzo e hoje é a Prefeitura de São Paulo.

bar viadutoRevista A Cigarra de 31-12-1914

O Bar Viaduto muda-se então para um sobrado estilo chalé que existia na esquina da Rua Anchieta com o Largo do Palácio, como era conhecido o Pátio do Colégio. Lá o encontramos em 1914 em uma reportagem da revista A Cigarra. A esta altura a firma Alves, Azevedo e Cia. já estava próspera, tendo adquirido um grande laticínio em Santa Bárbara o Monte Verde, MG, onde fabricava a afamada manteiga Viaducto que era vendida por quilo ou em latinhas. A manteiga chegou a receber um prêmio de honra e medalha de ouro na exposição de Milão de 1915. Além daquele laticínio, a empresa adquiriu fábricas em Lima Duarte e Santa Rita de Cássia em Minas Gerais e em Casa Branca, SP.

Mas não ficou muito tempo no Largo do Palácio. Em quatro de maio de 1916 era inaugurado o Bar Viaducto da Rua Direita, no antigo número 27, atual 141.

Em 1920, os sócios da empresa desfazem a sociedade, vendem o Bar Viaducto e dedicam-se exclusivamente às atividades das fábricas e venda por atacado. O Bar Viaducto passa então às mãos de Justo Fontana e Cesare Caselli, que formam a empresa Fontana & Caselli.

7 - OESP 13-10-1920 Bar Viaducto crop1Jornal O Estado de S. Paulo de 13-10-1920

Em 1923 o bar passa por remodelação e modernização, até a orquestra é substituída por uma com repertório mais apropriado para a época.

Em 1930 Julio Fontana resolve retirar-se para a Itália e a sociedade então é desfeita e formada uma nova com Cesare Caselli, Enrico Fontana, Octaviano Doas e Arturo Morassuti.

O Bar Viaduto, agora na nova ortografia sobreviveu até o começo da década de 1950. Em 1955 a Casa Beethoven, em expansão, acaba tomando o se lugar. Hoje vive apenas na lembrança de paulistanos mais antigos.

JN 08-09-1950 crop

JN 08-09-1950 crop1Jornal de Notícias de 08-09-1950

Com a colaboração e incentivo de Felipe Alexandre Herculano e Maria Paula Cosme.

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  1. 15/04/2017 às 13:07

    Lembro-me muito bem desse luxuoso centro gastronômico. Tinha musica ao vivo com os primeiros violinistas da Sinfônica Lírica do Teatro Municipal, inclusive aos domingos pela manhã, quando lá se reuniam pessoas ilustres para o tradicional aperitivo. Eu depois de assistir ao programa de domingo no auditório da Radio Record, ia a lá em busca de meu tio Elias Chammas e se meu intento desse certo ganhava um refrigerante, uma deliciosa coxinha e, ainda, uns trocados para ir ao cine Odeon à tarde. Velhos tempos, velhos
    dias……

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