Início > Sem categoria > Uma lembrança da Biblioteca Infantil

Uma lembrança da Biblioteca Infantil

Biblioteca Infantil Monteiro Lobato 1952

A Biblioteca Infantil Monteiro Lobato em 1952

Por Edison Loureiro

A Biblioteca Infantil Monteiro Lobato fica na Rua General Jardim, 485, Vila Buarque. Para quem não conhece o local, na foto aérea, a Rua General Jardim está na diagonal inferior e a Rua Major Sertório na diagonal superior. À esquerda fica a Rua Cesário Mota e à direita a Dr. Vila Nova. Foi a primeira biblioteca infantil da cidade.

A criação da Biblioteca Infantil Municipal é de 1936, parte do projeto cultural de um grupo de intelectuais, entre os quais Mário de Andrade, então diretor do Departamento Municipal de Cultura. A Biblioteca Infantil foi instalada em 14 de abril numa casa não muito distante do local da foto, na Rua Major Sertório. Nunca foi apenas uma simples biblioteca, mas um espaço cultural infanto-juvenil, com atividades variadas como, sala de jogos, hemeroteca, cinema, teatro e outras.

Biblioteca Infantil

O primeiro casarão onde se instalou a Biblioteca Infantil

Em 1945 a biblioteca muda-se para um local mais amplo, à Rua General Jardim, num palacete que era residência do senador Rodolfo Miranda. Esta casa não existe mais, ficava no local onde hoje é a praça da biblioteca. O senador Rodolfo Miranda era sócio do engenheiro Manuel Buarque de Macedo na empresa construtora Brasil, que comprou as terras de Rego Freitas e Rafael Tobias de Aguiar Pais de Barros, o segundo barão de Piracicaba, parte da antiga chácara de José Arouche de Rendon Toledo. Esta empresa fez o arruamento do atual bairro de Vila Buarque.

Em 1950 foi construído o prédio que vemos na foto e que foi inaugurado em 24 de dezembro daquele ano. A Biblioteca Infantil Municipal ganhou o nome de Monteiro Lobato em 1955. É a biblioteca infantil mais antiga do Brasil. Nas novas instalações além das outras atividades, ganhou sala de cerâmica e pintura, discoteca, mapoteca, hemeroteca, biblioteca circulante, auditório com teatro de fantoches e o museu Monteiro Lobato.

Já nesta data existia o jornal A Voz da Infância, totalmente feito com artigos redigidos pelas crianças. Uma das crianças de 1936 que estreou no “jornalzinho” foi Paulo Bomfim, hoje chamado de Príncipe dos Poetas de São Paulo. Também arriscava suas primeiras composições o inesquecível Paulo Vanzolini, autor de Ronda entre outras. O escritor Monteiro Lobato costumava frequentar a biblioteca para contar histórias e conversar com os frequentadores.

Desde a sua organização e fundação até 1961, quando se aposentou, D. Lenyra Fraccaroli, esteve à testa da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato. D. Lenyra foi responsável pela criação, em 1947 da sala de Braille na Biblioteca Infantil.

Biblioteca Infantil Monteiro Lobato 1952a

 A Biblioteca Infantil Monteiro Lobato em 1952

Em 1952, graças à sua iniciativa construiu-se o Teatro Infantil Leopoldo Froes, ao lado da biblioteca, onde hoje está uma quadra esportiva no lado da praça que dá para a rua Dr. Vila Nova. Uma marquise unia o prédio da biblioteca à porta lateral do teatro. A marquise ainda está lá, mas o teatro desapareceu no começo da década de 1970. Uma pena, foi o primeiro teatro infantil do Brasil.

Teatro Leopoldo Froes 1952O Teatro Leopoldo Froes em 1952, com frente para a Rua General Jardim

Falar de D. Lenyra Fraccaroli assim como de sua sucessora D. Noemi do Val Penteado e de suas realizações no campo cultural vale um texto à parte. Tive a honra de conhecer as duas.

Em 1961, com 12 anos entrei pela primeira vez naquele prédio silencioso e apesar da caminhada de quase meia hora desde o Bexiga onde morava a visita tornou-se um hábito quase que diário até 1964. Participava das atividades do jornal A Voz da infância, que na época voltava à atividade. Além de colaborar com historinhas infantis algumas reportagens e fofocas dos colegas, eu “traduzia” todo o jornalzinho para o Braille, para a garotada do Instituto Padre Chico que comparecia semanalmente.

Naquela época convidamos Paulo Bomfim para ser o patrono do jornal e ele aceitou. A sala onde era a “redação” do jornalzinho passou a chamar-se Sala Paulo Bomfim. Porém há alguns anos, fazendo uma visita tive a tristeza de ver que não existe mais. Os tempos vão mudando.

Anúncios
Categorias:Sem categoria
  1. 02/04/2016 às 11:19

    Aos oito anos de idade, morava em Ribeirão Preto e meu pai precisou vir a São Paulo, para um estágio. Nos hospedamos na “Pensão da D. Lali”, na General Jardim, onde hoje está instalada a Fundação da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, bem em frente à biblioteca, E foi ai que descobri o mundo encantado dos livros. Li meu primeiro Monteiro Lobato: “O Saci”, indicado pela bibliotecária e em seguida, sem parar muitos outros. Imaginem a felicidade que me foi dada de ter podido ir morar bem em frente à biblioteca

  2. Thelma
    02/04/2016 às 17:05

    Passei belos momentos da minha infância neste edifício. Além de ler bastante, participávamos de várias atividades, como aulas de xadrez e teatro. Em um concurso cultural, meu irmão escreveu uma história, que mais tarde foi encadernada junto com as dos outros meninos e virou um livro, motivo de orgulho na família.

  3. Giselle
    03/04/2016 às 09:07

    Que vela e interesante matéria! Parabéns!

  4. 03/04/2016 às 19:00

    queria lembrar o nome da cartilha usada em 1942 nas escolas estaduais de sp, foi a minha primeira cartilha, mas não lembro o nome…se alguém souber dizer, ficarei grata!

    • Edison Loureiro
      04/04/2016 às 09:37

      Olá Terezinha. Não seria “Caminho Suave”?

  5. 19/06/2016 às 20:36

    Que sincronicidade de lembranças! Fui procurar informações biográficas sobre o jornalista Frederico Branco e encontrei este blog, São Paulo Passado. O artigo sobre o referido cronista era apenas a reprodução de um de seus textos. No entanto, me surpreendi quando, ao verificar sua última postagem, topei com esse texto sobre a Biblioteca Monteiro Lobato.
    “As bases de minha formação literária deve-se, de certa forma, a esta inigualável antologia do conto mundial, traduzida com maestria por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Paulo Rónai.
    Anos incríveis que passei na biblioteca Monteiro Lobato, trepando nas árvores da Praça Rotary, na Vila Buarque, e me lançando no ar pendurado numa corda, que fazia às vezes de cipó, enquanto gritava de medo e reinventava o grito do Tarzã. Numa mescla de Homem-Aranha e Tintin, escalava as colunas do parque e perseguia espiões imaginários através da rampa suspensa que levava à biblioteca, porém que não tinha passagem para o interior do prédio, era preciso descer o portão verde que cercava o lugar.
    Foi lá que aprendi a jogar xadrez e a participar da ciranda da poesia/prosa, onde cada participante escrevia um verso ou uma frase e passava para o seguinte continuar. O resultado era sempre surpreendente.
    As Monteiro, três belas irmãs, a princípio, alimentaram platonicamente nossos corações pueris e, logo, se converteram em nossas musas da puberdade.
    Eram os idos de 1985.”

  6. 19/06/2016 às 20:39

    Obrigado por este belíssimo post. A primeira vez que me cadastrei nessa biblioteca foi aos 8 anos, em 1981. Durante muito tempo fui um assíduo frequentador da praça e da Monteiro Lobato.

  7. 11/11/2016 às 22:12

    Passei minha infância e inicio da juventude neste edifício e também no Teatro aonde faziamos teatro infantil com Iacov Hillel, alem disto ia muito a sala de musica. Além de ler bastante, bons tempo, já não voltam mais……e pena…

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: