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Archive for the ‘Igrejas de São Paulo’ Category

Boas Novas da Boa Morte

Igreja da Boa Morte, vista da Rua Tabatinguera

Reaberta após passar por cuidadoso restauro,  a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte é uma das mais antigas do centro de São Paulo e chama atenção por um outro fato: é a única da região central aberta 24 horas por dia.

A Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte nasceu no século  XVI no Pátio do Colégio de São Paulo, através dos jesuítas, tendo como seu primeiro local de culto a Igreja do Colégio, passando posteriormente para o Convento do Carmo. Em 1802, após licença eclesiática do bispo de São Paulo, d. Mateus de Abreu Pereira, a irmandade adquiriu de Joaquim de Sousa Ferreira um terreno na rua do Carmo. Por oito anos os irmãos trabalharam para a conclusão das obras, e em 14 de agosto de 1810 foi realizada a bênção solene do templo, inaugurado oficialmente em 25 do mesmo mês.

Igreja da Boa Morte - Seu sino servia de alerta para a chegada de visitantes ilustres

Do alto da Tabatinguera, sua torre avistava os viajantes que, pela estrada do Ipiranga, via Santos, chegavam a São Paulo, e seu sino dava o alerta, que era repetido pelas igrejas do Carmo, Sé,  São Gonçalo, São Francisco, São Bento, Santa Ifigênia, entre outras. Com o crescimento da cidade e da altura dos edifícios, a torre das “Boas Notícias”, como era chamada, acabou perdendo a sua função.

Bastante simples, a igreja até hoje ainda segue a descrição que dela fez Alfredo Moreira Pinto no seu livro A Cidade de São Paulo, em 1900: “Tem cinco janelas de frente, a torre à direita, a porta principal e duas laterais. O seu interior não tem ornamentação digna de menção. Possui a capela-mor com seis tribunas, e um altar com a Senhora da Boa Morte. No corpo da igreja há seis tribunas, dois púlpitos e dois altares, da Senhora da Piedade e Nossa Senhora da Conceição”.

Um fato curioso é que, após a expulsão dos jesuítas, a irmandade se viu em apuros. Como fora criada por esses religiosos, acabou sendo alvo de processo por parte da coroa portuguesa devido à adoração perene do Santíssimo Sacramento. Cada irmão recebia um papelzinho escrito à mão em que se determinava o mês, dia e hora em que cada um devia fazer as orações ao Santíssimo Sacramento. Como a técnica se revestia de certo mistério que levou à suspeita de um ato pró-jesuíta, o governo interveio. Após a devassa, constatado que nada de errado havia, a irmandade pode seguir com sua devoção em paz.

 

Altar principal e tribunas laterais

Pintura do teto descoberta durante os trabalhos de restauro
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