O Passado triste do Bom Retiro

Rua Itaboca cerca 1950
Rua Itaboca, atual Prof. Cesare Lombroso cerca de 1950.

Por Edison Loureiro.

Em setembro de 2019 o Bom Retiro foi eleito pela revista britânica Time Out como o bairro mais “cool” do Brasil e o 25o do mundo. Concorde-se ou não com os critérios utilizados pela revista, o Bom Retiro tem lugares agradáveis para visitar, como a Pinacoteca, Sala São Paulo, a Estação da Luz, além de restaurantes variados com comida judaica, coreana, grega, e um comércio atacadista de moda vibrante.

Quem passa hoje pelas ruas José Paulino, Prof. Cesare Lombroso, Aimorés e imediações não pode deixar de notar as lojas chiques, a maioria com nomes chamativos e grifes elegantes. Os manequins nas vitrines exibem as últimas tendências da moda, principalmente a feminina.  Calcula-se que 55% da moda feminina do Brasil saia do Bom Retiro. A presença de imigrantes coreanos é preponderante neste comércio.

O Bom Retiro sempre foi um bairro de imigrantes. A própria Hospedaria de Imigrantes, hoje Museu da Imigração, funcionou inicialmente no bairro de 1882 a 1887. Hoje os imigrantes são os coreanos e bolivianos, mas inicialmente a maioria era de italianos e na década de 1930 foi o bairro judeu por excelência.

Mas com certeza, se a tal revista britânica fizesse a pesquisa na década de 1940, passaria longe do Bom Retiro.

As vitrines que se viam nas ruas Aimorés e Prof. Cesare Lombroso seriam bem diferentes. Esta última então nem tinha este nome, chamava-se Itaboca. E só a menção a este nome, naquela década já faria os mais pudicos corarem de vergonha.

Acontece que após 1937, apesar do golpe do Estado Novo e instauração da ditadura getulista que impôs repressão e controle severo sobre os costumes, a prostituição alastrava-se pelo centro da cidade.

Na verdade, não havia muitos protestos nos jornais contra os bordeis mais elegantes, as chamadas pensões chics nem os cabarés, pois estes eram frequentadas inclusive pelos altos escalões. A preocupação era com o baixo meretrício, a exposição e convites feitos das janelas pelas moças, às vezes em trajes menores, e mesmo o trottoir.

A prostituição, que no início do século XX se concentrava nas estreitas  Rua Líbero Badaró e São João, espalhou-se lentamente com o alargamento dessas vias e, em 1930, concentrava-se na Rua Amador Bueno (atual Rua do Boticário), Rua Ipiranga (ainda não tinha sido alargada) e Timbiras.

Na Av. S. João começava a se formar a Cinelândia Paulistana que se tornava importante local de lazer familiar com cafés, confeitarias, salões de dança, etc. Havia também planos de reurbanização de toda a área. O famoso Plano de Avenidas de Prestes Maia, o que realmente acabou acontecendo.

No final de 1939 o interventor federal Adhemar de Barros tomou a decisão de confinar todas as prostitutas do chamado baixo meretrício em uma zona restrita e escolheu para recebê-las justamente as ruas Aimorés e Itaboca. Essas ruas formam uma ferradura e o paredão das ferrovias Sorocabana e Santos-Jundiaí limitavam a entrada das ruas e favorecia o controle de quem entrava ou saía.
R Aimorés cerca 1950
Rua Aimorés cerca de 1950

 

Conforme alguns historiadores uma das alegações de Adhemar de Barros foi: “É produto vosso, fica para vocês”. Por que “produto vosso”?

Acontece que o Bom Retiro, na década de 1930 ficou também com a fama de bairro das polacas. Desde o final do século XIX e até o começo da década de 1930 chegaram a grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e Nova Iorque prostitutas de origem judaica. Eram trazidas em sua maioria por uma máfia internacional formada por judeus poloneses e russos conhecida como Zwi Migdal. Os agenciadores percorriam regiões empobrecidas do Leste Europeu, casavam-se no religioso com as moças e as traziam para as cidades citadas com promessa de uma vida melhor. Somente na chegada é que iriam conhecer o triste destino que as aguardava. Em meados da década de 1920 os cafetões responsáveis por essa rede de tráfico no Rio de Janeiro e São Paulo foram identificados e presos ou deportados. Mas, como a prostituição não era crime, as prostitutas ficaram por aqui. Algumas tornaram-se cafetinas e donas de pensão. Como eram rejeitadas pela comunidade judaica por motivos religiosos, formaram sua própria comunidade de ajuda mútua, a Sociedade Feminina Religiosa e Beneficente Israelita. Tinham sua própria sinagoga na Rua Ribeiro da Silva e chegaram a ter também seu cemitério exclusivo em Santana, O Chora Menino.

Historiadores explicam também a escolha de Adhemar pelo bairro judeu por uma questão que era importante para Getúlio Vargas: a necessidade de controle e vigilância sobre o que consideravam um gueto étnico com uma “perigosa concentração de judeus”. Lembrando sempre que o Brasil vivia sob uma ditadura, às vésperas da II Guerra e o antissemitismo era disseminado. O próprio instrumento político para o golpe de 1937 que instaurou o Estado Novo foi o famigerado Plano Cohen, uma suposta conspiração judaico-comunista que depois se provou uma fraude.

Mas se a expansão da prostituição para os lados da Rua Timbiras foi lenta, a ocupação das duas ruas do bom Retiro foi de supetão, forçada e violenta.

É difícil encontrar registros oficiais destes fatos, jornais da época não publicaram uma palavra a respeito devido à forte censura do Estado Novo. O jornal O Estado de S. Paulo ficou sob intervenção de 1940 a 1945. Assim, para tentar reconstituir os fatos só nos resta recorrer às memórias deixadas por algumas testemunhas da época, apesar das falhas nas lembranças.

Um desses relatos é feito através da carta de um leitor do jornal O Estado de S. Paulo publicada em 30 de maio de 1997 na qual nos relata que a cena “… foi vista por mim, na ocasião um adolescente, estudante a caminho do colégio que, ao descer do bonde na Rua José Paulino, se deparou com inusitada movimentação de caminhões de mudanças e gente por todos os lados nas mencionadas Ruas Aimorés e Itaboca, até então habitadas somente por famílias judias. Mulheres sumariamente vestidas, muitas apenas de calcinha e sutiã, facilmente identificáveis como prostitutas, inclusive algumas polacas, carregavam móveis para o interior das casas ou jogavam utensílios dos até então moradores pelas janelas e portas. Homens, mulheres e crianças saíam das casas com seus bens ou os apanhavam nas calçadas, levando-os do jeito que podiam para a casa de parentes e conhecidos, em busca de abrigo provisório. Contrastando com os gritos e a algazarra das mulheres que chegavam, o silêncio das pessoas que abandonavam suas casas, não por acaso judeus, carregando camas, colchões, móveis, roupas, panelas. Enquanto isso, policiais em pequenos grupos a tudo assistiam, desencorajando qualquer resistência das pessoas que estavam sendo despejadas. Passei o resto da tarde assistindo à instalação da zona do meretrício no bairro judeu, entre curioso e surpreso, lembrando os noticiários cinematográficos que mostravam prisões e desocupações de casas de judeus na Alemanha e países ocupados pelas forças nazistas”.

O Anhanguera Futebol Clube, um time de várzea, resolveu uma noite comemorar a vitória do campeonato na Rua Itaboca e conta seu memorialista, da surpresa que tiveram quando, no meio da farra e fogos de artifício, já madrugada, chegaram os camburões com mulheres e as despejaram pelas ruas. Talvez mais de cinquenta, “o auge da noite se deu com nossos atletas valsando no meio da rua com cabrochas nuas”.

Os camburões da polícia simplesmente invadiam as pensões  declaradas “irregulares” e, sem aviso prévio, embarcavam todos para a zona confinada. Clientes e outros moradores que escapassem como pudessem.

Nahum Mandel, morador do bairro na sua infância, conta que “voltando para casa do Grupo Escolar deparou-se com um reboliço de mulheres nuas, e soldados e civis abraçando-as e rindo. Um Carnaval surrealista! As lojas estavam cerradas e tive que entrar em casa pelo quintal”.

A zona do meretrício do Bom Retiro, a única instalada por decreto do governo em São Paulo, funcionou por 13 anos.

Mas o que parecia ser uma solução logo se mostrou um problema maior. Já em dezembro de 1940 o jornal A Platéia reclamava que os encarregados de policiar a zona não sabiam como resolver “o escândalo que se vem verificando, especialmente, aos sábados e quando a extraordinária multidão que desfila por essas ruas da boemia na falta total de mictórios despeja as urinas pelas ruas”. Com o passar do tempo a região tornou-se um ponto de concentração de todo tipo de marginais. Durante o dia, principalmente nas manhãs, era uma rua tranquila, “frequentada por leiteiros, padei­ros, verdureiros, catadores de papel e vendedores dos mais variados que davam uma feição bastante diversa da movimentação noturna. Ao entardecer, no entanto, as mulheres iam se postando junto às portas e janelas como em ‘mostruários’ à espera do desfile de homens que aumentava com a chegada da noite. Os convites e os gestos aos passantes eram os mais depravados possíveis. Frases “abomináveis” e “termos repelentes de gíria” eram proferidos mostrando bem até que grau de degradação humana havia chegado o mulherio”, como nos conta Nuto Santana em seu livro “Rua Aimorés”.
vitrine Rua Itaboca
As “vitrines’ da zona de meretrício do Bom Retiro

Paulinho Perna Torta, personagem de crônica homônima de João Antônio, acrescenta: “… era um formigueiro na rua Itaboca e dos Aimo­rés. Até gente morria. Tiro, facada, navalhada, ferrada e todo o resto de acompanhamento. Mas era um bra­seiro isolado e não bulia com ninguém fora dali”. É verdade, o noticiário policial da década de 1940 e do começo da de 1950 pipocava com informações de todo tipo de crime e algazarras na zona, muitas com envolvimento de soldados do Exército e da Força Pública. Isso tudo acontecia principalmente na Rua Itaboca, pois existia uma espécie de hierarquia entra as duas. Enquanto na Itaboca atuavam as “nacionais”, compostas por mulatas e caboclas pobres, sem instrução e que moravam no local e viviam as agruras do jugo das cafetinas e cafetões, na Aimorés concentravam-se as mais bonitas e bem cuidadas que normalmente moravam longe dali.

Um levantamento realizado em 1943 visando o controle de sífilis contou 1.084 meretrizes morando na zona confinada, mas o autor do estudo, José Martins de Barros, estimou em 1.500 mulheres trabalhando no local, visto que muitas moravam em outros bairros. Além disso, a prostituição começou a espalhar-se  por outras ruas como a Carmo Cintra e a Ribeiro de Lima.

Assim permaneceu a situação até 1953, quando, após intensa campanha, o prefeito Jânio Quadros suspende, por decreto, todos os alvarás dos bares da ruas Itaboca, Aimorés, Ribeiro de Lima e José Paulino. O governador Lucas Nogueira Garcez, já havia mandado assistentes sociais para a região para o trabalho de convencimento das mulheres para deixar a “profissão” ou encontrar outro abrigo.

A desocupação final foi feita tal qual a ocupação. No dia 30 de dezembro o governador Nogueira Garcez anuncia a ordem para a extinção da zona de meretrício. No dia seguinte a Força Pública e a Polícia de Costumes cerca o local. Cordões de isolamento deixam claro que homem não entra. Ainda havia 161 prostíbulos e 650 mulheres no local.

Logo as mulheres começam a sair á rua e protestar, algumas gritando e rasgando as roupas. Outras atiram móveis e utensílios pelas janelas. Na confusão generalizada uma prostituta chamada Antônia, moradora da Rua Aimorés tem um colapso e morre no local. A notícia se espalha causando mais revolta. Algumas conseguem furar o cerco e vão para a Rua José Paulino, Arlinda Guiomar e Alice invadem um comércio e são repelidas pelo proprietário que se armou com uma barra de ferro e as duas primeiras são feridas gravemente e encaminhadas ao Hospital das Clínicas. Por fim a chegada do Batalhão de Choque e do Corpo de Bombeiros acaba com a confusão com jatos d’água e cassetetes.

Alguns dias depois o diretor do Serviço Social do Estado de São Paulo diria numa entrevista que “… dentro de poucos dias já ninguém se lembrará da antiga zona do baixo meretrício do Bom Retiro e as infelizes que lá morriam aos poucos terão vida longa e melhor, que é o que elas merecem”.

Ele acertou em parte, pois poucos se lembram do passado triste do Bom Retiro, mas o baixo meretrício mudou-se para a Boca do Lixo e logo se espalhou por toda a cidade.

 

Fontes
Paula Karine Rizzo, O Quadrilátero do Pecado: A Formação da Boca do Lixo em São Paulo na Década de 50, 2017.
Enio Rechtman, Itaboca, Rua de Triste Memória: Imigrantes Judeus e o Confinamento da Zona de Meretrício (1940 a 1953), 2015.
Sofia Villela Borges, Corpo Estranho Confinado, 2018
João Antônio, Paulinho Perna Torta em Leão de Chácara: João Antônio, 2010.
Guido Fonseca, História da Prostituição em São Paulo, 1982.
Margareth Rago, Os prazeres da noite: prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo, 1890-1930, 1991.
Nahum Mandel, Testemunho de um sonho, 2009.
Jornal Folha de São Paulo de 6 de agosto de 1998.
Jornal O Estado de S. Paulo de 20 de setembro de 2019.
Jornal O Estado de S. Paulo de 3 de janeiro de 1954.
Jornal O Estado se S. Paulo de 30 de maio de 1997.

O Recolhimento de Santa Teresa

Por Edison Loureiro

1915Rua do Carmo cerca de 1915. Ao fundo o Recolhimento de Santa Teresa.

Em 1685, ergueu-se neste local o recolhimento de Santa Teresa, que viria a ocupar todo o quarteirão formado pelas ruas Roberto Simonsen, Venceslau Brás, Irmã Simpliciana e atual Rua Santa Teresa.

As Casas de Recolhimento eram casas religiosas similares aos conventos, com a diferença que as internas não faziam votos ou juramentos solenes, porém da mesma forma usavam os hábitos das ordens a que pertenciam. Tinham a função de asilo, educandário, abrigo e obrigavam aos ofícios religiosos. Nos recolhimentos internavam-se as moças com forte vocação religiosa, assim como também as prostitutas arrependidas. Por outro lado, serviam também para confinamento de mulheres sejam solteiras ou casadas acusadas de má fama, ou de serem infiéis onde ficavam totalmente isoladas enquanto seus maridos ou responsáveis viajavam, ou até como punição. Uma vez aceitas as reclusas somente sairiam com a autorização do familiar responsável, da autoridade civil, ou por interferência do bispo. Ainda estavam longe os tempos da liberação feminina e a proibição das discriminações. No caso específico do recolhimento de Santa Teresa, só se aceitavam internas que soubessem ler e escrever e mediante dote. À Corte portuguesa não interessava que fossem criados conventos no Brasil, pois incentivava o casamento de todas as mulheres para povoar o novo território.

O fundador do recolhimento foi Lourenço Castanho Taques, auxiliado por seu irmão o capitão-mor Pedro Taques de Almeida e Manoel Vieira de Barros que cedeu os terrenos de duas casas que possuía no local. Tudo com o apoio do primeiro bispo do Rio de Janeiro, D. José de Barros de Alarcão, então em visita às terras paulistanas.

Lourenço Castanho Taques, o moço e Pedro Taques de Almeida eram talvez as mais influentes e abastadas famílias de São Paulo daqueles tempos. Filhos do bandeirante Lourenço Castanho Taques, o velho, o moço Lourenço também foi sertanista, fez excursões, aprisionou índios e foi Juiz de Órfãos de São Paulo. Pedro Taques de Almeida ocupou vários cargos, foi provedor e contador da Fazenda Real da capitania de São Paulo, juiz da alfândega, capitão-mor entre 1684 e 1687, alcaide-mor, procurador da Coroa e administrador-geral das aldeias do real padroado. De Manoel Vieira de Barros pouco se sabe, além do fato de também ter sido uma pessoa abastada, de vários negócios e ter ocupado o cargo de mestre de capela da Matriz de São Paulo, ou seja, era o responsável pela organização do coro, das atividades musicais em geral, do ensino musical aos jovens e também de compor músicas.

O responsável pela construção da torre do recolhimento não foi outro senão Joaquim Pinto de Oliveira, o lendário Tebas, mulato escravo alforriado extremamente habilidoso que realizaria outras obras importantes em São Paulo.

Dom José de Barros de Alarcão autoriza o funcionamento do recolhimento em 1685 e em 1748 o primeiro bispo de São Paulo, dom Bernardo Rodrigues Nogueira, autoriza o recolhimento a ter seu próprio estatuto, no qual vemos que a disciplina era severa, como na maioria dos monastérios.

Pelo regulamento acordavam diariamente às 4:30, iam para o coro às 5:00 para as matinas, laudes e prima (os primeiros ofícios do dia), e após as antífonas (as respostas cantadas a cada salmo, versículo, etc.) recolhiam-se às celas para as orações mentais. às 8:00 voltavam ao coro para a tércia e a sexta (outros ofícios que também dão o ritmo do dia conventual) e ouvir a missa. Do coro iam à “casa de labor” para trabalhos comunitários até as 11:00. Aí iam para as suas celas por 15 minutos para meditação “sobre o que tinham feito do tempo em que despertou até o presente momento”. Seguiam para o refeitório até as 12:30 e daí para as celas até as 14:00, voltavam para o coro para rezar as vésperas e voltavam ao trabalho até as 17:30. De volta ao coro para rezar as completas e ouvir 15 minutos de “lição espiritual”, rezar o terço e ir ao refeitório para a última refeição e depois tempo livre de repouso até as 20:30 e uma vez tocado o sino recolhiam-se às suas celas para suas devoções até as 21:30 quando era hora de dormir. Esta era a rotina no recolhimento de Santa Teresa.

Por outro lado, o aparente rigor em que viviam era atenuado pela existência dos dotes e a presença de escravos e escravas para os serviços mais pesados e mucamas para as necessidades particulares.

As três filhas de Manoel Vieira de Barros foram as primeiras hóspedes do recolhimento, cujos primeiros anos foram bem difíceis. Em 1718 estava tão decadente que não tinha nenhuma recolhida. A Câmara chegou a solicitar ao Governo a sua extinção, porém graças aos esforços do bispo do Rio de Janeiro a extinção não ocorreu. Nos anos seguintes, porém através de donativos e legados, recuperou-se, ocupou todo o quarteirão, e em 1809 o recolhimento estava entre os mais ricos proprietários da cidade.

Foi aqui, no recolhimento de Santa Teresa, que entre 1769 e 1770, Frei Galvão, hoje canonizado, foi nomeado confessor e conheceu a irmã Helena Maria do Espírito Santo, que resolveu contar-lhe as visões que tinha sobre um novo convento que deveria ser fundado por seu confessor. Ela tinha 34 anos na época, ele 31. Frei Galvão aconselhou-se com pessoas mais experientes, apresentou o caso às autoridades eclesiásticas e resolveu levar adiante o trabalho, o que resultou no que hoje é o conhecido Mosteiro da Luz onde são distribuídas as famosas pílulas do frei Galvão.

Em 1913, a pedido do arcebispo de São Paulo dom Duarte Leopoldo e Silva, religiosas do Rio de Janeiro foram transferidas e passaram a viver no recolhimento de Santa Teresa com o objetivo de implantar as regras carmelitas de Santa Teresa. O recolhimento torna-se então, Mosteiro Professo da Ordem das Carmelitas Descalças de Santa Teresa.

Por 232 anos viveram as reclusas nos corredores, claustros e capela do antigo recolhimento. Em 1917 são transferidas para o palacete Rodovalho, na Penha, que tinha sido reformado e adaptado para tal. O vetusto prédio de taipa de pilão, com paredes de até um metro de espessura iria em breve desaparecer. Em 1918 são transferidos para a cripta da Sé os despojos dos bispos de São Paulo que estavam provisoriamente no Recolhimento.

O prefeito Washington Luís tinha feito um acordo com o Arcebispo Metropolitano D. Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo que atuava em nome do Recolhimento, para a desapropriação de uma área de 694m2 visando o alargamento da Rua Santa Teresa, pelo preço de 145:000$000 (cento e quarenta e cinco contos de réis), que foi aprovado pela Câmara Municipal em maio de 1919.

Torre Recolhimento
A Rua de Santa Teresa com a torre do Recolhimento à direita e a lateral demolida para o alargamento da rua.

interior do recolhimento
Interior da Capela do Recolhimento de Santa Teresa pouco antes de sua demolição.

Em novembro daquele mesmo ano, o Recolhimento adquiriu por 265 contos de réis uma área de 18.000 m2 nas Perdizes chamada Chácara Lúcia e no ano seguinte inicia-se a construção de novo mosteiro com projeto do arquiteto Alexandre Albuquerque. O novo mosteiro e sua capela anexa foram inaugurados em julho de 1923.

Aí permaneceram as monjas até 1948, quando a propriedade foi cedida para a Pontifícia Universidade Católica (PUC) que havia sido criada dois anos antes.

O Mosteiro de Santa Teresa é então transferido para a Avenida Jabaquara, onde está até hoje.

Referências
Antonio Egydio Martins, São Paulo Antigo
Alfredo Moreira Pinto, A cidade de São Paulo em 1900
Ernani Silva Bruno, História e Tradições da Cidade de São Paulo
Jornal Correio Paulistano, edições de: 06-02-1919, 18-06-1938, 21-06-1917, 28-05-1919, 30-11-1920.
Jornal O Estado de S. Paulo, edições de: 06-08-1918, 07-07-1919, 12-01-1922, 29-10-1917
Jornal O Combate de 18-06-1918.

Heróis de quatro patas

Eduardo Dick e Muniz de Souza
O Soldado José Muniz de Souza, o cão policial Dick e o menino Eduardinho

Por Edison Loureiro

Tarde de abril de 1956.

Duzentos policiais, comandados por 10 delegados, com viaturas da Radiopatrulha e do RUDI faziam investigações e buscas desde o dia 17, atrás do paradeiro do menino Eduardo Jaime Benevides, o Eduardinho, de três anos e meio, desaparecido da porta de sua residência na Rua Senador Casimiro da Rocha. Suspeitava-se de sequestro, em vista de outro caso semelhante, ocorrido no dia 11 do mesmo mês, quando a criança foi encontrada na Estrada do Taboão, Água Funda.

Em vista disso as buscas concentravam-se nos bairros de Vila Morais, Vila Liviero, Água Funda e a região do Parque do Estado, onde hoje encontra-se o Zoológico de São Paulo.

Eram sete e meia da manhã do dia 21 quando, nas matas no Parque, o subtenente Audoramo Antunes Moreira, comandava o cabo Benedito Bicudo Caraça e os soldados Nodis Cristofoletti e José Muniz de Souza, que conduziam os cães pastores alemães Tufão, Fúria e Dick. Os cães haviam farejado um travesseiro usado somente pelo menino.

Coube ao cão Dick levar seu adestrador, o soldado Muniz de Souza, à uma cova com um metro e meio de profundidade,coberta com uma folha de zinco onde estava o garoto sujo e com as roupas esfarrapadas, mas vivo. Junto a ele, algumas bananas e tangerinas.

O Governador Jânio Quadros, que havia recentemente ameaçado fechar o Canil Central da Força Pública através de um dos seus famosos “bilhetinhos”, recomendou a promoção do soldado Muniz de Souza a cabo. Mas o cão Dick também ganhou sua promoção e hoje é conhecido como o Cabo Dick.

placa
Placa de bronze instalada abaixo do busto do Cabo Dick no Canil Central

O Cabo Dick morreu por complicações de saúde em 15 de junho de 1959, mas ganhou um busto e placa de bronze à porta do Canil Central da Polícia Militar do Estado de São Paulo no bairro do Tremembé.

Cabo Dick
Busto em homenagem ao cão policial Dick instalado no Canil Central da PMESP

A placa diz que o Canil foi fundado em 15-09-1950. É verdade, foi em 1950 que o Capitão Djanir Caldas voltou da Argentina, onde conheceu e estudou a cinotecnia, e o Canil da então Força Pública iniciou suas atividades com quatro cães pastores alemães, sendo que dois deles vieram da Argentina. Neste ponto poderíamos ter encerrado a história, mas…

Madrugada de julho de 1912.

Enfrentando a brisa gelada da Rua Santa Rosa um homem caminha de modo furtivo. É Serrinha, conhecido meliante, arrombador que dá preferência a depósitos e casas comerciais. Evitando ser apanhado pela fraca luz das luminárias, tira o pé de cabra que trazia e começa a forçar a porta de um depósito. De repente, escuta uma voz de comando, um rosnado feroz e se vira sentindo-se gelado também por dentro.

À sua frente, num elegante uniforme azul, o policial, armado somente com seu bastão, segura com certa dificuldade a corrente que prende um feroz cão pastor belga que parece disposto a pular em seu pescoço. Compreende que não há como resistir. Larga o pé de cabra e pede para o policial que não solte o cão. Outro soldado se aproxima e faz a revista à procura de alguma arma. A luz esverdeada do lampião de gás faz brilhar as iniciais GC bordadas em dourado no boné do uniforme. Lá se vão os soldados do 1o Corpo da Guarda Cívica com seu cão e o ladrão para a Central de Polícia do Pátio do Colégio.

Como vemos, 38 anos antes da inauguração do Canil do Tremembé já existiam cães auxiliando as atividades policiais de São Paulo. Então o correto seria dizer que o canil foi recriado, pois o uso de cães nas atividades policiais remonta a 1912, quando a primeira Missão Francesa esteve em São Paulo e trouxe cães adestrados da raça pastor belga.

Em 1913 a reportagem do jornal O Estado de São Paulo registra a chegada de mais seis cães policiais belgas “recolhidos ao canil provisório do Quartel da Luz”. Eram cães da raça Dinamarquesa trazidos pelo professor François Semal, que depois adotou o nome brasileiro de Francisco Carlos e tornou-se diretor do canil policial do Estado. Este canil tornou-se responsabilidade do 1o Corpo da Guarda Cívica da Força Pública, predecessor do 6o Batalhão de Infantaria criado em 1924, que passou a chamar-se Batalhão de Caçadores em 1934 e hoje corresponde ao 6o Batalhão da Polícia Militar.

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Jornal O Estado de S. Paulo de 18-08-1913

Em 1924, durante os distúrbios da Revolução o canil foi em parte destruído e os cães dispersos. Na época a Força Pública publicou até um edital solicitando à população que, no caso de abrigar algum cão pertencente ao canil da Força que o devolvesse ao Quartel da Guarda Cívica, o antigo Asilo de Alienados do Parque D. Pedro II. Neste ano o canil foi reorganizado e entregue aos cuidados do Veterinário do Regimento de Cavalaria. Foi também determinada a construção de um canil moderno no 6o Batalhão sob a direção do Major Juvenal de Campos Castro, que passou a dirigir o canil.

CP 14-08-1924 anúncio recorte
Jornal Correio Paulistano de 14-08-1924

No biênio 1930/32, com as várias mudanças feitas na Força Pública, resultado das derrotas daquele período, o antigo canil acabou sendo extinto bem como as atividades com cães policiais em São Paulo.

Até 1950, quando os heróis de quatro patas voltaram ao serviço.

 

Notas

Canil da Polícia Militar e sua verdadeira história – in Revista A Força Policial, n. 30, ano 2001.

Jornal Correio Paulistano de 09-08-1913, 14-08-1913, 14-08-1924 e 26-01-1914.

Jornal Folha da Tarde de 10-04-1956.

Jornal O Estado de São Paulo de 11-08-1913, 13-01-1914, 18-08-1913 e 21-04-1956.

O Canil Central da PMESP fica na Av. Júlio Prado Neves, 1111 – Tremembé, São Paulo.

A Sinhá da Rua das Sete Casas

B-Paranapiacaba-1925Praça da Sé em 1925, à direita a R. Barão de Paranapiacaba

Por Edison Loureiro

A Rua Barão de Paranapiacaba teve, através dos tempos, várias denominações: Travessa do Padre Capão (início do século XIX), Rua “da Mexia” ou “do Mexim”, Rua das Sete Casas e, a partir de 28/11/1865, por proposta do vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra, Travessa da Caixa D’Água (a antiga caixa d’água ficava na esquina com a Rua Quintino Bocaiúva). No dia 01/12/1907, o vereador Carlos Garcia solicitou a alteração desta denominação para “Barão de Paranapiacaba” e justificou: “Trata-se de um velho paulista, conhecido, tradicional nas letras brasileiras”.

Hoje é a “ruas das joias”, tamanha a quantidade de joalherias concentradas em seu curto trecho.

Devo a Affonso Schmidt (1890 – 1964), excelente cronista do passado a seguinte história sobre esta rua.

Por volta de 1850 existia na R. Barão de Paranapiacaba uma república de estudantes. Naquele tempo houve uma epidemia de tifo na cidade que causou várias vítimas.

Como podem imaginar médicos eram raros e escassos os medicamentos. Poucos se aventuravam a tratar dos doentes.

Certa manhã, quem nas redondezas estivesse, poderia ver uma Sinhá, aí pelos seus 55 anos, que residia num palacete da então Rua Alegre, atual Brigadeiro Tobias, adentrar apressada a tal república da Rua das Sete Casas, como ainda era conhecida. Tinha sido avisada que havia um estudante doente que morreria por falta de cuidados.

Diz o cronista que a tal senhora providenciou remédios e passou três dias e três noites cuidando do estudante. O curioso é que ela nem conhecia o estudante, somente depois é que ficou sabendo que seu nome era Affonso Celso de Assis Figueiredo, o futuro Visconde de Ouro Preto.

O nome da Sinhá?

Era Domitila, a nossa conhecida Marquesa de Santos, que morreu há 150 anos.

A Pauliceia de 77

1872pb

O Mercado antigo na Rua 25 de Março em 1872.

 

Edison Loureiro

Este texto não é de minha autoria. Encontrei-o no jornal O Estado de S. Paulo de 31 de março de 1937 e seu autor não se identificou, assinou apenas com a inicial “A”. Mas eu achei tão interessante e curioso que resolvi transcrevê-lo na íntegra, somente atualizando a ortografia. Espero que gostem.

Seria difícil reconstituir com pormenores a capital de São Paulo no ano de 1877. No entanto, se algum leitor de oitenta anos, ou mais, quiser acompanhar-nos num passeio através da nossa cidade tal como ele era há sessenta anos, poderemos ativar-lhe a memória. O triângulo era constituído pelas ruas São Bento, Direita e Imperatriz, não oferecendo, portanto, grande alteração. Mas na Rua Direita ainda se via a Igreja da Misericórdia e, da Rua da Imperatriz, entre os sobradinhos de uma travessa, ainda se viam, em ângulo, a igreja do Colégio e o Palácio do Governo.

Quem chegava ao Largo do Tesouro e olhava para baixo, via a meio da Rua Municipal, a estação dos “bondinhos de burro” e, lá embaixo, a chácara do Gasômetro, tendo ao lado o antigo “Depósito de Imigrantes”. Nesse tempo o Mercado Velho era ainda Mercado Novo, ou melhor, Praça do Mercado. Na parte alta do sobradinho da Rua da Imperatriz n. 10 havia um escritório de advocacia que ficou célebre. Não tinha placa, mas São Paulo inteiro o conhecia: era de Luiz Gama.

Naquele tempo, como durante muitos anos, quer para trás, quer para frente, o delegado de polícia era o Conselheiro Francisco Maria de Souza Furtado de Mendonça, que morou no Largo da Glória, em casa que ao tempo tinha o número 40. A Câmara Municipal funcionava no edifício do Palácio, pavimento inferior, junto à Secretaria Militar e realizava suas sessões às sextas-feiras, das 10 às 14 horas. Era seu presidente o Dr. Antonio da Silva Prado que morava à Rua Senador Feijó.

Os viajantes tinham os seguintes hotéis: o Imperial, na Rua do Ouvidor, de propriedade de Agostinho Pucciarelli; o Grand Hotel de France, na Rua Direita, esquina do Beco da Lapa [sic], cuja proprietária era Amélia Fretin; no mesmo beco havia ainda o hotel de Ângelo Fenili e o Hotel Europa à Rua da imperatriz, n. 51 e 56, de Carlos Schorcht. O Albion já existia, era de propriedade do negociante James Porter; havia também um Hotel de Paris de mme. Rosalie Boudrot, à Rua São Bento, n. 31.

O Correio Paulistano, de Joaquim Roberto de Azevedo Marques, tinha a sua redação á Rua da Imperatriz n. 27; o Diário de São Paulo, de Paulo Delphino da Fonseca, à Rua do Carmo, 65; A Província de S. Paulo, de Francisco Rangel Pestana, Américo de Campos e José Maria Lisboa, `Rua da Imperatriz, 44; a Sentinela, de João Mendes de Almeida, no Largo de São Gonçalo; a Tribuna Liberal, de Herculano Marques Inglez de Souza e Joaquim Taques Alvim, à Rua da Princesa, n. 20; a Revista do Instituto Politécnico, de que era redator-chefe Elias Fausto Pacheco Jordão. Ainda contava São Paulo com outras publicações literárias e acadêmicas e o Indicador de Abílio S. Marques.

Os elegantes eram vestidos pelos alfaiates de fama: Bougarde, Hell, Lang & Worms, Guilherme Krioner e J. Pourraly. Alugavam-se mobílias na casa de José Rubim Cesar, na Rua da Cadeia, n. 45, notadamente cadeiras austríacas para reuniões políticas, récitas particulares e bailes improvisados. Havia também “armadores de anjos de gala para procissões”, representados por D. Maria Benta à Rua da Boa Vista e D. Maria do Carmo Silva à Rua da Boa Morte. O bauleiro da capital era Antonio Peixoto de Carvalho no Largo do Palácio. O paulistano, fora de casa, tomava banhos no estabelecimento da Ilha dos Amores e na Sereia Paulista de José Fischer, à Rua São Bento, n. 1. Cortava os cabelos e perfumava-se na casa de Aimeé Quillet, à Travessa da Quitanda, ou na de Eugênio Husson na Rua São Bento n. 48-A. A primeira aliava à navalha os frascos de extrato e o segundo um belo mostruário de joias. Mas além dessas, contavam-se numerosos barbeiros comuns por todos os cantos da cidade.

Para se dar um passeio à Rua da Mooca, que era a Avenida Paulista da época, alugava-se um cavalo no Adão, à Rua do Comércio, no Miguel Justo à travessa de Santa Tereza, ou então, no Nicolau Gomes Pereira, à Rua da Esperança. À noite ia-se ao teatro. Mas para isso alugava-se um tílburi no ponto principal que era o Largo do Colégio, das 9 às 21 horas. Quando não funcionava o Teatro São José, no Largo de São Gonçalo, ia-se ao Provisório, do desembargador Bernardo Gavião.

Mas o ponto da rapaziada era mesmo a Escola de Patinação, na Rua da Beneficência, canto da Rua Alegre. Era um divertimento caro naquele tempo, pois a entrada custava 1$000.Quem não tinha vitória ou caleça, voltava de bonde para casa, alta noite. Sim, porque debaixo dos anúncios de teatros lia-se sempre esta frase tranquilizadora: “depois do espetáculo haverá bondes para todas as linhas”.

Há cem anos os cocheiros brigavam com os taxistas

Por luz-circulado-1908

Por Edison Loureiro

A foto mostra a Estação da Luz em cartão postal circulado em 1908. Em frente à estação, na rua que então recebia o nome de José Paulino,  podemos ver a fileira de tílburis aguardando passageiros. Muitas vezes os passageiros tinham que despachar suas bagagens por veículo separado por falta de espaço.

Em 1911, aproveitando a maior oferta dos novos veículos automotores, Frederico Zanardi criou a empresa Companhia Nacional de Auto-Transporte e obteve licença  para estacionar seus veículos na Estação da Luz, em concorrência com os cocheiros que lá faziam ponto. Obviamente os “chauffers” da empresa não foram nada bem recebidos pelos cocheiros.

O próprio Frederico Zanardi já havia sido agredido na Rua Mauá por cocheiros irritados. Em vista disso contratou um segurança particular para tranquilizar seus motoristas. Na época, seguranças particulares eram chamados de capangas e geralmente não tinham boa fama. A própria polícia reforçou a guarda da estação colocando policiais adicionais.

Mas no começo da noite de 24 de agosto de 1911, o cocheiro Antonio de Luca, mais conhecido como “Galo” foi tirar satisfação com o “capanga” chamado Francisco da Cunha e começaram um bate-boca. Não durou muito a discussão, O Galo puxou um revólver e disparou contra o peito de Francisco que ficou gravemente ferido. No tumulto que se seguiu, o cocheiro desapareceu e Francisco, após os primeiros socorros foi internado na Santa Casa de Misericórdia.

Até onde pude seguir esta história, Francisco da Cunha sobreviveu ao ferimento e Antonio de Luca foi indiciado por tentativa de homicídio. Dois anos depois se envolveria num rumoroso caso de homicídio relatado aqui.

Foi assim. Há mais de cem anos os cocheiros brigavam com os taxistas que lhes faziam concorrência. Hoje os taxistas brigam com o Uber pelo mesmo motivo. Mas não passou pela cabeça de nenhum deputado ou senador no Congresso Nacional propor nenhuma lei que tornasse inviável o serviço dos taxistas, deixando aos passageiros decidir pelo serviço que quisessem.

Fonte: jornal O Estado de S. Paulo de 26-08-1911 e 25-08-1911

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